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Fabulada

Corpo e sentidosPortuguês

A Chuva no Lago dos Patos

O lago dos patos ficava no fim da rua, cercado de juncos e de folhas boiando.

Alice morava na casa ao lado e conhecia o lago inteiro. Mas naquela manhã ela queria uma coisa só: sentir o cheiro da chuva chegando. A avó dizia que a chuva cheirava a terra molhada, e Alice nunca tinha reparado.

O céu estava azul e limpo. Cheiro nenhum.

— Vem, chuva — disse Alice.

Nada.

Ela fungou o ar. Só sentiu cheiro de lama e de pão da padaria.

Perto da margem, o Dudu, o pato mais velho, arrumava as penas. Ele estava ali porque era dia de secar as asas, e não pensava em outra coisa.

— Dudu, você sabe quando vem a chuva? — perguntou Alice.

— Quá — disse Dudu, e continuou arrumando as penas.

Alice tentou de novo. Pulou, girou e bateu palmas para chamar as nuvens. Pulou tanto que escorregou e sentou numa folha grande. Plof! A folha boiou um pouquinho, e Alice saiu de lá com o bumbum molhado.

— Vem, chuva — disse ela, mais baixinho.

Aí Alice parou. Ficou quietinha, olhando.

Os patos tinham parado de nadar. Todos tinham virado a cabeça para o mesmo lado, para as árvores do outro lado do lago. Até o Dudu tinha deixado as penas.

Alice olhou para lá. Lá longe, o céu estava ficando cinza.

Ela fechou os olhos e respirou fundo, bem devagar.

O ar tinha mudado. Estava fresco, e cheirava a terra, a pedra e a folha molhada. Era um cheiro bom, como o de um quintal depois de ser regado.

— Dudu! — disse Alice. — É isso! Você sentiu?

— Quá — disse Dudu, e dessa vez balançou a cabeça.

A primeira gota caiu na ponta do nariz de Alice. Depois mais uma, e outra, nas folhas do lago, tic, tic, tic.

Alice sorriu de olhos fechados, com o cheiro da chuva por todo lado.