Pular para o conteúdo
Fabulada

Corpo e sentidosPortuguês (Brasil)

O Penico da Valentina

Valentina estava sentada no tapete da sala, com a boneca no colo, quando sentiu uma cosquinha na barriga. Era a cosquinha de fazer xixi.

Ela queria muito usar o penico sozinha, como a prima grande. O penico era amarelo, com uma carinha de pato na frente. Estava no banheiro, bem pertinho.

— Já vou! — disse Valentina.

Mas o pato do penico tinha um problema. Quando ela sentou, o penico fez um barulho esquisito: quéc!

Valentina deu um pulo.

— Ele está bravo comigo?

Ela tentou de novo, bem devagarinho. Quéc! O pato falou outra vez. Valentina levantou, com as bochechas vermelhas.

— Não quero que ele grite — disse ela.

A mãe apareceu na porta com uma pilha de toalhas.

— Eu vou guardar as toalhas, Valentina. Você me chama se precisar.

A mãe foi embora. Ela tinha mesmo muita toalha para guardar.

Valentina olhou o penico. Olhou a carinha do pato. Depois olhou embaixo dele. Tinha uma tampinha de borracha, e a tampinha estava meio solta.

— Ah! — disse Valentina. — O pato não está bravo. É a tampinha.

Ela apertou a tampinha com os dois dedos, até ficar no lugar. Então sentou, bem quietinha.

Nada de quéc. Só um silêncio macio, e o barulhinho de água, plim, plim.

— Consegui! — disse Valentina, bem baixinho, para o pato não se assustar.

A mãe voltou, com as toalhas ainda nos braços.

— Ouvi uma coisa boa daqui — disse ela.

Valentina sorriu e fez carinho na cabeça do pato. Lá fora, a chuva começou a bater na janela, e o banheiro ficou quentinho.