Grátis enquanto construímos
Uma história de ninar sobre qualquer coisa, com as palavras da sua família
Conte para a gente sobre o que é a história de hoje. Em alguns segundos você vai ter uma história curta e calma para ler em voz alta.
Sem conta. Sem e-mail. Nada para cancelar.PrivacidadeTermos
Como funciona
Você diz sobre o que é
Um tema. Esse é o formulário inteiro — nada sobre a sua criança é pedido nem guardado.
Ela é escrita para ser lida em voz alta
Um personagem, um desejo, algumas tentativas e um final tranquilo — escrita para um adulto ler para uma criança na hora de dormir.
Ela fica para a próxima família
As histórias prontas entram na biblioteca compartilhada, então um pedido parecido mais tarde não custa nada e chega na hora.
A biblioteca
Histórias que outras famílias pediram. Grátis, sem precisar de conta.- O Pequeno Ananás de TomásNo fundo do quintal da pequena casa amarela, onde o cheiro de terra molhada era sempre doce e a luz do sol parecia pintar as folhas de dourado, havia um canteiro secreto onde as plantas cresciam mais do que em qualquer outro lugar. Ali vivia Tomás, um menino de cabelos muito cacheados que cheiravam a hortelã. Numa manhã de vento calmo, Tomás descobriu que o ananás que ele tanto cuidava tinha crescido tanto que tombara para o lado, encostando-se à cerca de madeira. Ele queria muito colher a fruta coroada para o lanche, mas, ao tentar erguê-la, o ananás parecia pesado como uma pedra do rio e as suas folhas pontiagudas espetavam-lhe as mãos. Tomás sentou-se na terra úmida, cruzou os braços e sentiu um aperto quente no peito, uma impaciência que fazia as suas bochechas arderem. A sua avó, que colhia salsa ali perto, aproximou-se devagar com os seus passos macios. Ela olhou para o ananás tombado e depois para o rosto amuado do menino. — Vejo que estás muito impaciente para provar essa doçura, Tomás — disse ela com uma voz calma, sem tentar levantar a fruta por ele. — Às vezes, as coisas boas da terra pedem que dês um passo atrás antes de as colheres. Toma, segura esta folha de bananeira e limpa o suor da testa. Tomás pegou na folha fresca, respirou fundo o aroma verde e olhou novamente para o obstáculo. Em vez de puxar com força, ele percebeu que podia cavar a terra fofa ao redor da base com uma pequena colher de pau, libertando as raízes presas. Com paciência, a fruta cedeu. Ao fim da tarde, o quintal estava mais silencioso e a luz do sol brilhava mais suave e avermelhada entre as árvores. Tomás e a avó sentaram-se no degrau de pedra, saboreando os pedaços amarelos e sumarentos que agora pareciam ainda mais doces. Desde esse dia, sempre que Tomás queria colher algo no quintal, ele lembra-se de respirar primeiro e conversar com a terra depois.
- O Pequeno Oh CorazónNo topo da Colina dos Ventos, onde o ar trazia sempre um gosto suave de baunilha e o chão de grama macia brilhava como se estivesse salpicado de purpurina, a única coisa estranha era que as pedras redondas do caminho mudavam de cor quando a noite se aproximava. Lá vivia João, um menino que tinha as orelhas ligeiramente pontudas e usava um cachecol verde tão comprido que precisava dar três voltas no pescoço para não tropeçar nele. Certa tarde, João decidiu que era o momento de aprender a canção mais antiga da colina, chamada pelos antigos de Oh Corazón, um assobio baixinho que as pessoas usavam para se despedir do sol. Ele subiu na pedra mais alta, encheu o peito de ar e soprou, mas o som saiu esganiçado, como o guincho de um filhote de passarinho assustado. A impaciência tomou conta das suas pernas, fazendo-o chutar o chão com força enquanto seus lábios teimavam em não fazer o formato certo para o sopro. A senhora Clara, uma vizinha de olhos muito atentos que passava carregando um balde de metal vazio, parou e observou o esforço do menino. — Você está chateado porque a sua voz ainda não consegue desenhar a música que está na sua cabeça, não é? — disse ela, pousando o balde pesado na grama. — Eu não posso assobiar por você, mas posso lhe dar esta semente de romã bem vermelha para você segurar debaixo da língua até o gosto sumir. João colocou a semente na boca e sentiu o azedinho refrescante acalmar o aperto na sua garganta. Ele não tentou mais alcançar a nota mais alta; em vez disso, deixou o ar sair devagar, misturado com o sabor da fruta, num sopro suave que finalmente imitou o som do vento. A luz do entardecer agora pintava as pedras do caminho com um tom de violeta morno e acolhedor. Daquele dia em diante, o assobio do Oh Corazón passou a fazer parte de todas as tardes de João, que sempre encontrava a nota certa assim que o sol começava a descer.
- O espirro do giganteNo topo da Colina dos Três Ventos, o ar cheirava sempre a capim-limão amassado, a luz do sol parecia pintar as pedras de um amarelo muito vivo e morno, e as árvores cresciam todas ligeiramente inclinadas para a esquerda, como se estivessem cochichando um segredo para a terra. Lá vivia Thiago, um menino cujas bochechas ficavam muito vermelhas sempre que ele tentava guardar um segredo. Naquela manhã fria, enquanto ajudava o velho jardineiro do vilarejo a recolher folhas secas no quintal, Thiago sentiu uma cosquinha terrível bem na ponta do nariz. Era uma coceira teimosa, que subia pelos olhos e fazia sua barriga tremer, mas ele não queria fazer barulho e atrapalhar o silêncio macio da colina. O menino apertou os lábios, franziu a testa e prendeu a respiração, sentindo um aperto agoniante no peito de tanta vontade de explodir. O velho jardineiro, que podava um galho seco com sua tesoura enferrujada, parou o trabalho, olhou para o rosto vermelho de Thiago e disse, num sussurro bem baixinho: — Você está com uma vontade gigante de espirrar e seu peito está quase estourando de tanta aflição, não é? Espirre logo, menino, mas antes segure esta folha de hortelã seca entre os dedos. Thiago pegou a folha áspera e, finalmente, soltou o ar. O espirro veio tão alto, mas tão alto, que as folhas secas voaram para o alto como confete e um passarinho assustado piou no galho. A coceira sumiu na hora, e o peito do menino relaxou, leve e fresco. O sol continuava a pintar as pedras com seu amarelo morno, mas agora o vento parecia cantar mais suave entre as árvores inclinadas. Daquele dia em diante, Thiago aprendeu que alguns barulhos precisam mesmo sair do corpo, e ele nunca mais tentou segurar um espirro na Colina dos Três Ventos.