Corpo e sentidosPortuguês (Portugal)
A Sofia e o Atchim Gigante
— Chiu, fala baixinho — diz o avô, e a Sofia tapa a boca com as duas mãos.
Os dois estão sentados à beira do prado. É de noite. A lanterna do portão arde azul, e isso quer dizer que esta noite não vai chover. Ninguém acha estranho. É sempre assim.
A Sofia só quer uma coisa. Quer ver os pirilampos acenderem todos ao mesmo tempo. O avô diz que isso só acontece quando o prado está muito, muito calado.
Na erva, os pirilampos piscam, um aqui, outro ali. Falta pouco. Então o nariz da Sofia começa a fazer cócegas.
— Vem aí um espirro — sussurra ela.
— Aguenta, aguenta — diz o avô.
A Sofia aperta o nariz com os dedos. As cócegas continuam. Depois prende a respiração, e as bochechas incham como um balão. As cócegas continuam, e cada vez maiores.
Então ela repara numa coisa. Mesmo à frente do seu nariz há um dente-de-leão, com a bola de penugem branca a tremer. São as penugens que fazem cócegas!
A Sofia pensa depressa. Se o espirro vai sair de qualquer maneira, tem de sair para o sítio certo. Arranca o dente-de-leão com cuidado e vira a cara para o outro lado do avô. Segura a flor bem alto.
— ATCHIIIM!
Foi um espirro tão alto que a coruja, lá longe, mudou de ramo. As penugens voam todas de uma vez. Os pirilampos assustam-se e sobem também, numa nuvem.
A Sofia fica quieta, com os olhos muito abertos.
Mas os pirilampos não fogem. Cada um pousa numa penugem, e cada penugem fica a brilhar como uma lamparina pequenina. Centenas de luzes acendem-se ao mesmo tempo, e descem devagar, devagarinho, como neve amarela.
— Chiu — diz a Sofia, baixinho.
O avô sorri. A última luz pousa na erva, e o prado inteiro fica a brilhar, calado, debaixo da lanterna azul.