Corpo e sentidosPortuguês (Brasil)
O cobertor da Laura
A Laura tinha um cobertor macio que cheirava a pão quentinho. Era dele que ela mais gostava no mundo inteiro.
Naquela noite, ela queria dormir. Mas o cobertor tinha sumido.
— Mãe, cadê meu cobertor? — Laura perguntou, parada na porta do quarto.
— Procura, meu amor. Ele deve estar por aí.
Laura procurou embaixo da cama. Só achou uma meia e uma bola.
Então procurou dentro do armário. Só achou o casaco de chuva, que fez fiu, fiu, quando ela puxou.
— Cobertor macio, cadê você? — ela chamou baixinho.
Nada. Nem um ronco, nem um cheiro de pão.
Laura sentou no chão e ficou quieta. E, de repente, ela viu uma coisa estranha. Na cama, tinha uma montanha pequena, e a montanha se mexia.
Laura chegou perto, devagar. A montanha era do tamanho de um gato, e fazia um barulhinho: rrrr, rrrr.
— Ah! — disse Laura. — Fofinho!
Fofinho era o gato de verdade. Ele tinha puxado o cobertor para a cama e se enrolado dentro dele, bem redondo.
— Fofinho, esse é o meu cobertor — disse Laura.
O gato abriu um olho só, olhou para ela e fechou de novo. Ele também gostava do cobertor macio. Gostava muito.
Laura pensou. Se puxasse, o gato ia ficar bravo. Ela tentou puxar só um cantinho, bem de leve, mas o gato foi junto, enrolado, e não largou.
Então Laura teve uma ideia. Foi até o cesto de roupas e pegou a toalha velha de banho, a mais fofa de todas. Ela dobrou a toalha, dobrou de novo e fez uma caminha ao lado da cama.
— Olha, Fofinho — ela sussurrou. — Tem outra cama aqui. Também é macia.
O gato esticou uma pata. Depois a outra. Subiu na toalha, deu três voltinhas e deitou, rrrr, rrrr.
Laura puxou o cobertor devagarzinho. Ele ainda estava quente, e cheirava a pão e um pouquinho a gato.
Ela se deitou e se cobriu até o queixo.
No chão, o ronronar do Fofinho foi ficando mais baixo, mais baixo, até virar só um sopro.