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Fabulada

Imaginação e fantasiaPortuguês

Reino dos Cobertores

Lucas era o único rei do Reino dos Cobertores que tinha pés de lã. Quando ele andava, fazia assim: fofo, fofo, fofo.

O reino inteiro era feito de cobertores. As montanhas eram cobertores dobrados. O rio era uma manta azul que ondulava devagar. O castelo era uma pilha de colchas, com uma bandeira de meia na ponta.

Todas as noites, Lucas queria uma coisa só: dormir. Mas o reino só dormia quando a Grande Manta Branca cobria o céu. E ainda não era hora.

– Já posso? – perguntou Lucas.

– Ainda não – disse a Coruja Costureira, que estava ali para remendar um buraquinho na lua. – A manta só vem quando a última estrela se apagar.

Lucas esperou. Contou as montanhas. Contou até o rio. Nada.

Então tentou ajudar. Soprou as estrelas, com força: fuuu! Elas só piscaram, como quem ri.

Tentou outra coisa. Subiu na montanha mais alta e puxou o céu pela pontinha. O céu não veio. Veio a montanha, que desabou em cima dele, e Lucas rolou até o rio.

– Ai, ai, ai – disse ele, todo enrolado.

Foi aí que ele ouviu um barulhinho. Ronc, ronc, ronc. Vinha de algum lugar perto.

– Coruja, que barulho é esse?

– Não sou eu – disse a Coruja, e voltou à costura.

Lucas ficou quieto e escutou. O barulho vinha da pilha de colchas do castelo. Ele foi andando, fofo, fofo, fofo, e levantou a ponta de uma colcha.

Embaixo dela, a última estrela estava dormindo. Era pequena e redonda, e roncava de boca aberta.

– Ah! – disse Lucas, bem baixinho. – Ela cansou antes de todo mundo.

Ele cobriu a estrela com a colcha, até o queixo. O ronc ficou mais fraquinho. Depois sumiu.

No alto, a luz se apagou. A Grande Manta Branca desceu devagar sobre o reino, e tudo ficou quentinho.

Lucas deitou os pés de lã no travesseiro. Lá embaixo, na colcha, a estrela respirava: fu, fu, fu.