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Fabulada

Imaginação e fantasiaPortuguês (Brasil)

Helena e o Reino de Cobertores

O reino de cobertores ficava em cima de uma cama grande, e tudo ali era macio. As montanhas eram de colcha, o rio era uma manta azul e a floresta era feita de franjas compridas.

Helena morava lá. Era pequena, usava botas de lã e queria uma coisa só: chegar ao Cantinho do Travesseiro antes de o sino da noite tocar. Era lá que ela dormia, debaixo da sua coberta amarela.

Em cada passo de Helena, o chão cantarolava uma musiquinha só dela. Os outros ouviam outras músicas. Ninguém achava isso estranho.

Mas, naquela noite, o reino tremeu. Alguém lá fora tinha virado na cama. A colcha escorregou, a floresta deitou, e a trilha de Helena sumiu.

— Cadê o caminho? — ela disse.

Primeiro, Helena seguiu as listras vermelhas. Elas acabaram numa dobra funda, sem saída.

Então ela encontrou Bolota, a gata, que cochilava numa curva de lã.

— Você sabe ir ao Cantinho do Travesseiro? — perguntou Helena.

— Mmm — disse Bolota. — Eu só sei procurar lugar quentinho.

A gata se jogou numa pilha de lã. Ploft! A pilha soltou uma nuvem de poeira, e Helena riu, mesmo sem querer.

Depois ela se sentou, cansada. E ouviu, bem baixinho, uma musiquinha no chão. Era a dela! Ainda estava ali, onde ela tinha pisado de manhã.

— Ah! — disse Helena. — Eu posso voltar do jeito que vim.

Ela foi andando de trás para a frente, passo por passo. Pé na franja, pé na ponte de botão, pé na colina de lã. A musiquinha ia ficando mais forte, como um fogãozinho aceso.

Bolota foi atrás, de nariz levantado.

— Aqui está quente — ela disse.

— É a minha casa — disse Helena.

O Cantinho do Travesseiro estava lá, inteiro, cheirando a sabonete. Helena puxou a coberta amarela até o queixo. Bolota deu três voltas e se enrolou nos pés dela.

O sino da noite tocou, devagarinho. O chão cantarolou a musiquinha de Helena, e a gata ronronou junto, até as duas ficarem quietas.