Imaginação e fantasiaPortuguês (Portugal)
Beatriz e o Reino dos Cobertores
A Beatriz era a única menina do reino dos cobertores que sabia fazer cócegas aos montes de lã. Ali, as colinas eram cobertores dobrados, os rios eram mantas azuis a escorrer pelos vales, e o castelo era uma pilha de edredões fofos. Ninguém achava isso estranho. Era assim, e pronto.
Todas as noites, a rainha Lã precisava de um cobertor muito grande para cobrir o reino inteiro. A Beatriz queria ajudar a estendê-lo.
— Hoje faço eu! — disse ela.
Mas o cobertor grande era pesado. A Beatriz puxou, puxou, puxou. Nada. O cobertor nem se mexeu.
— Vem, cobertor! — disse ela.
Tentou empurrar com as costas. O cobertor ficou onde estava, muito quieto, como um elefante a dormir.
A Beatriz sentou-se. Foi então que reparou numa coisa. Um novelo de lã rolava pelo chão, e quando ela o apanhava, ele fugia. Rolava para longe. Rolava para perto. Escapava-lhe sempre das mãos.
— Esse novelo é um maroto — riu-se ela.
E teve uma ideia.
— Pessoal! — chamou. — Preciso de vós!
Vieram os coelhos de pelúcia, vieram as meias sem par, veio até uma almofada que andava a passear. Cada um agarrou numa ponta do cobertor.
— Um, dois, três… puxa!
— Puxa! — disseram todos.
O cobertor levantou-se no ar, enorme e macio, e voou por cima do reino. Ouviu-se um fuuuuf comprido. Depois, devagarinho, desceu sobre as colinas, sobre os rios e sobre o castelo.
O novelo, que tinha rolado até ao meio, ficou preso lá em baixo. Fazia uma bolinha no cobertor, que mexia, mexia, e depois parou.
A Beatriz deitou-se ao lado da bolinha, debaixo da lã quente. Lá fora, o reino inteiro respirava devagar, e o cobertor subia e descia, subia e descia.