Imaginação e fantasiaPortuguês
A Estrela no Quintal
— Que barulho foi esse? — perguntou Laura, sentando na cama.
Foi um plim, bem pequeno, vindo do quintal. Laura calçou as pantufas e saiu na pontinha dos pés.
Na grama, entre o tanque e o pé de limão, havia uma luz. Uma luzinha amarela, do tamanho de um pão. Era uma estrela, e ela piscava devagar.
— Oi — disse Laura. — Você caiu?
— Caí — disse a estrela, com voz de sininho. — Eu escorreguei do céu. Preciso voltar antes de amanhecer, senão minha família fica sem mim.
Laura queria muito ajudar. Ela pensou: se a estrela é leve, eu jogo para cima.
Laura pegou a estrela com as duas mãos e jogou. A estrela subiu um pouquinho, fez plim e caiu de novo na grama.
— Não deu — disse a estrela.
— Então vou tentar de outro jeito — disse Laura.
Ela trouxe a escada do vizinho, que estava encostada no muro. Subiu até o último degrau, esticou os braços e levantou a estrela o mais alto que pôde. Mas o céu continuava longe, bem longe.
— Também não deu — disse a estrela, e a luzinha ficou fraquinha.
Laura sentou no degrau, triste. Foi então que ela olhou para o lado. Lá em cima do muro, o gato da dona Rita lambia a pata, e o pelo dele brilhava com a luz da estrela. Quando ele mexeu o rabo, a luz dançou.
— Você brilha mais forte quando alguém te balança? — perguntou Laura.
— Eu brilho mais forte quando estou feliz — disse a estrela.
Laura começou a cantar baixinho a música de ninar. A estrela riu: plim, plim, plim. A luz ficou tão clara que o quintal inteiro ficou dourado, como dentro de uma gema de ovo.
E lá no alto, uma estrelinha respondeu: plim. Depois outra. Depois outra.
A luz da estrela subiu devagar, sozinha, como uma bolha de sabão, até ficar bem pequena no meio das outras.
Laura sentou na grama e continuou cantando, bem baixinho, enquanto as estrelas piscavam, uma por uma.