Imaginação e fantasiaPortuguês (Portugal)
Estrela no Quintal da Sofia
A Sofia tinha um cabelo que brilhava no escuro, e por isso nunca precisava de lanterna.
Uma noite, ouviu um barulho lá fora. Pof! Correu ao quintal e viu uma luz pequenina entre as couves. Era uma estrela, do tamanho de uma maçã, e tremia toda.
— Estou cá em baixo — disse a estrela, com uma voz fininha. — Preciso de voltar para o céu antes de amanhecer.
— Eu ajudo-te — disse a Sofia. — Vou levar-te lá para cima.
Ela subiu ao muro com a estrela nas mãos. Esticou os braços, mas o céu continuava longe. Não chegava.
— Tenta outra vez — pediu a estrela.
A Sofia foi buscar a escada do avô. Subiu, subiu e esticou-se toda. Nada. A escada abanou, rangeu, e a estrela soltou uma risadinha.
— Faz cócegas! — disse ela.
A Sofia sentou-se no último degrau, a pensar. A estrela ficou quietinha no colo dela. Então a Sofia reparou numa coisa: a luz da estrela e a luz do seu cabelo estavam a misturar-se, cada vez mais fortes.
— Já sei! — disse a Sofia. — Se juntarmos as luzes, as outras estrelas vão ver-nos.
Ela levantou a estrela bem alto e abanou a cabeça devagarinho, para o cabelo brilhar também. A luz piscou: pisca, pisca, pisca.
Lá longe, no escuro, uma estrelinha piscou de volta. Depois outra. Depois uma fila inteira, como lanternas a acordar.
Um fio de luz desceu até ao quintal, fino como uma linha de lã. A estrela agarrou-se a ele.
— Obrigada, Sofia — disse ela, a subir. — Pisca, pisca, pisca!
— Pisca, pisca, pisca — sussurrou a Sofia.
Ficou sentada no degrau a ver a luz pequenina a crescer no céu, até ser só mais uma entre as outras. Nas couves, um grilo começou a cantar.