Imaginação e fantasiaPortuguês
Barquinho Pirata no Palheiro
A Manuela tinha um barquinho pirata, e ele era o único barquinho do mundo com uma vela feita de meia listrada.
Ela morava numa fazenda onde o rio passava por baixo do palheiro. Lá, todo mundo sabia que o rio devolvia o eco com atraso. Se a Manuela gritava "Ei!", o rio respondia "Ei!" um pouquinho depois. Ninguém achava estranho.
Naquela tarde, a Manuela queria uma coisa só: levar o barquinho até a corda do balanço.
– Hoje ele vai ser um pirata de verdade – disse ela.
Mas o barquinho escorregou da mão dela e foi parar bem em cima de uma viga do palheiro, lá no alto. Ficou balançando, de vela torta.
A Manuela pegou o rastelo. Esticou, esticou, e só encostou no ar.
– Barquinho, aguenta aí! – gritou.
– Aguenta aí! – respondeu o rio, um pouquinho depois.
Ela tentou de novo. Subiu num monte de feno e esticou o braço. O feno afundou, e ela caiu sentada. Fof!
Então ela viu uma coisa. A corda do balanço estava amarrada na mesma viga, bem perto do barquinho.
– Se eu balançar bem forte, chego lá! – disse a Manuela.
Ela agarrou a corda. Foi para trás, para a frente, para trás, para a frente. Na terceira ida, soltou uma mão e esticou os dedos.
Pegou!
– Peguei! – gritou a Manuela.
– Peguei! – disse o rio, atrasado.
Ela voltou balançando, com o barquinho apertado no peito, e pousou no feno macio.
Uma galinha que dormia ali acordou com o susto. Ela só queria o ninho quentinho, e saiu bufando, "có, có, có".
A Manuela riu. Colocou o barquinho na água, bem devagar. A vela de meia listrada se encheu de vento, e ele saiu rio abaixo.
– Vai, pirata! – disse ela.
– Vai, pirata! – disse o rio, um pouquinho depois.
E o barquinho seguiu navegando, balançando de leve, sob o palheiro.