Coragem e medosPortuguês
Helena e a Corda Curta
— Eu vou chegar lá em cima! — disse Helena, e apertou o chapéu de explorador na cabeça.
Ela era uma exploradora corajosa. Tinha um mapa, uma lanterna e uma mochila cheia de bolachas. E tinha um sonho: chegar ao topo do monte de feno, no alto do celeiro, onde o mapa tinha um X vermelho.
Lá de cima pendia uma corda de balanço, amarrada nas vigas. Helena queria pegar a corda e se balançar até o X.
Ela subiu a escada, degrau por degrau. Mas a corda estava longe, muito longe.
— Eu estiquei o braço, mas não alcanço — murmurou Helena.
Ela esticou o braço de novo. Nada. Pulou. Nada.
Então tentou outra coisa. Pegou um pedaço de barbante da mochila e amarrou na ponta da corda. Puxou. O barbante era curto demais e escapou da mão.
Tchac! A mochila abriu e as bolachas rolaram pelo feno.
Helena olhou as bolachas. Uma, duas, três... estavam em fila, uma atrás da outra, até a beirada da viga.
— Olha só! — disse ela. — Elas fazem um caminho!
Uma galinha cacarejou lá embaixo. Ela estava ali só para procurar um lugar quente para o ovo dela. Nem olhou para Helena.
Helena foi pondo as bolachas uma atrás da outra, da maior para a menor. Quando a última ficou no lugar, a fila chegava bem perto da corda.
Ela foi se arrastando, devagar, como uma lagarta. Esticou o braço, e agora sim! Os dedos pegaram a corda.
— Peguei! — gritou Helena.
Ela se segurou firme e se balançou, vuuuum, para lá e para cá, até cair de bumbum, macio, em cima do X vermelho.
O feno fez crec, crec, debaixo dela. Helena abriu a mochila, achou a última bolacha e deu uma mordida.
Lá fora, o vento soprava de leve. A galinha já tinha se ajeitado no feno, e a corda ainda balançava, devagarinho, devagarinho, até parar.