Profissões da comunidadePortuguês
Valentina e a Mangueira Fujona
Valentina puxava a mangueira vermelha pelo pátio do quartel. Ela era bombeira, e hoje era dia de lavar o caminhão antes do almoço.
— Quero deixar ele brilhando — disse ela. — Brilhando que nem uma moeda nova!
Mas a mangueira não quis ajudar. Cada vez que Valentina chegava perto da torneira, a ponta escorregava e fugia, rolando pelo chão.
— Volta aqui, mangueira! — disse Valentina.
Ela correu e quase pegou. A mangueira deu uma volta e fugiu de novo.
Então o sino tocou. Blém, blém!
No alto do poste, a lanterna do quartel acendeu azul. Naquela cidade, todo mundo sabia o que isso queria dizer: hoje não vai chover.
— Ih — disse Valentina. — Sem chuva, vou ter que lavar o caminhão eu mesma.
O sino era só do relógio, e a hora era do almoço. Davi, o outro bombeiro, apareceu com duas marmitas.
— Quem lava o caminhão hoje? — perguntou ele. — Acho que é a sua vez.
— Eu sei — disse Valentina. — Era a sua ontem, e você lavou. Hoje é a minha.
— Combinado — disse Davi, e foi comer na sombra.
Valentina tentou outra vez. Pegou a mangueira pelo meio, mas ela se enroscou nos pés dela e a deixou sentada no chão.
Valentina ficou quieta, olhando. A mangueira só rolava para o lado da ladeira.
— Ah! — disse ela. — Você não está fugindo. Está descendo!
Valentina pegou o balde e colocou na ponta da ladeira. A mangueira rolou, rolou e parou, bem dentro do balde. Plop!
Aí foi fácil. Valentina ligou a torneira, e a água saiu forte, fazendo um arco-íris pequenininho.
O caminhão ficou brilhando. Valentina sentou ao lado de Davi, e ouviu a água pingando do para-choque, pingo, pingo, pingo, enquanto a lanterna azul brilhava no poste.