Profissões da comunidadePortuguês (Brasil)
Bernardo e os ovos da manhã
Bernardo queria levar uma cesta de ovos para a mesa da vovó antes do café.
Ele era o fazendeiro da casa azul, perto do lago dos patos. Tinha botas amarelas e um chapéu grande demais.
Naquela manhã, a cesta estava vazia. Os ovos ainda estavam no galinheiro, esperando.
Bernardo foi lá. Mas a galinha Dona Pipoca estava sentada em cima de tudo, bem redonda, com as penas arrepiadas.
— Bom dia, Dona Pipoca — disse ele. — Você pode me dar os ovos?
— Cocoricó, não! — disse ela. — Estou quentinha aqui.
Bernardo tentou de novo, com jeitinho. Esticou a mão devagar. Pipoca bicou o ar: toc, toc, toc! Ele tirou a mão bem depressa.
Então Bernardo pensou em pegar o caminho de cima, pelo lago. Era um atalho, ele achava. Mas o chão estava cheio de folhas boiando e de juncos altos. Os patos gritaram: "quá, quá, quá!" e correram para todo lado. Bernardo ficou com a bota presa na lama. Quando saiu, tinha dado a volta inteira e estava de novo na porta do galinheiro.
— Que atalho comprido — disse ele, e riu.
Sentou no degrau para pensar. Foi aí que reparou numa coisa. Pipoca não olhava para ele. Olhava para o balde de milho, ali no canto.
— Ah! — disse Bernardo. — Você está com fome.
Ele pegou um punhado de milho e espalhou no chão, longe do ninho.
Pipoca olhou para os ovos. Olhou para o milho. Levantou-se, sacudiu as penas e foi comer, bicando: tic, tic, tic.
Debaixo dela havia seis ovos, ainda mornos. Bernardo pôs um por um na cesta, com muito cuidado.
— Obrigado, Dona Pipoca.
— Cocoricó — disse ela, de boca cheia.
Bernardo saiu pelo caminho de sempre, com a cesta pesando no braço. Atrás dele, ouvia-se só o tic, tic, tic do milho, bem baixinho, na manhã que acordava.