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Fabulada

Profissões da comunidadePortuguês (Brasil)

Heitor e o Cantinho da Dona Nena

Heitor queria descobrir qual era o cantinho preferido da dona Nena, a bibliotecária.

Ele sabia que ela tinha um. Toda tarde, a dona Nena sumia por um minutinho e voltava com cara de sorvete.

— Dona Nena, onde você vai? — perguntou Heitor.

— Para o meu cantinho preferido — ela disse. — Mas é segredo. Você mesmo tem que achar.

Heitor foi olhar debaixo da mesa grande. Só tinha poeira e uma meia.

Depois olhou atrás da estante dos dinossauros. Só tinha um dinossauro de pano, caído de lado.

— Não é aqui — disse Heitor. — Não é aqui, não é aqui.

Ele sentou no chão e pensou. Então reparou numa coisa. Toda tarde, a dona Nena levava a xícara de chá. E agora a xícara estava sobre o balcão, vazia.

— Ela não levou o chá — disse Heitor. — Então o cantinho é perto do chá!

Perto do balcão havia uma portinha baixa, que ele nunca tinha visto aberta. Heitor empurrou. Nada. Empurrou de novo. Nada.

— Ela só abre de lá de dentro — sussurrou ele.

Heitor bateu na porta. Toc, toc, toc.

— Quem é? — disse a voz da dona Nena.

— Sou eu, o Heitor! Eu achei!

A porta abriu devagar. Atrás dela havia uma janelinha redonda, uma almofada amarela e uma pilha de livros bem pequenos. O sol da tarde estava morno ali dentro, como um cobertor.

— Você achou — disse a dona Nena, sorrindo. — Cabe mais um aqui?

Heitor entrou, sentou na almofada e pegou o menor livro da pilha. Lá fora, o relógio da biblioteca bateu quatro vezes. Dentro do cantinho, só se ouvia a página virando.