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Fabulada

Profissões da comunidadePortuguês (Portugal)

O Rui e as Galinhas Barulhentas

O Rui estava a apanhar ovos no galinheiro quando ouviu o cesto fazer tóc, tóc, tóc. Ainda estava vazio.

Era de manhã cedo. O Rui era agricultor e queria seis ovos para o pequeno-almoço da avó. Seis ovos, nem mais um.

— Bom dia, galinhas — disse ele. — Onde estão os ovos?

As galinhas olharam para ele e não disseram nada. Só a Pintada fez cócó-ró-có, muito baixinho, e foi-se embora.

O Rui espreitou debaixo da palha. Nada. Espreitou atrás do balde. Nada. Espreitou dentro da bota velha. Só havia uma aranha, que lhe deu a volta ao dedo e saiu a correr.

— Tu tens os ovos, Pintada? — perguntou ele.

A Pintada abanou a cabeça. Depois sentou-se num canto e ficou muito quieta.

O Rui sentou-se também. Pensou. Pensou. Ouviu o vento no telhado. Ouviu o rio lá ao fundo.

E ouviu mais uma coisa: pi, pi, pi. Vinha da palha do canto, mesmo debaixo da Pintada.

— Ai! — disse o Rui. — Tu não estás a esconder os ovos. Tu estás a guardá-los!

A Pintada levantou-se devagar. Debaixo dela havia um ninho morno, com quatro ovos, e um deles estava a abrir. Pi, pi, pi. Saiu um bico amarelo, pequenino como um grão de milho.

— Então hoje não há ovos para o pequeno-almoço — disse o Rui, e riu-se baixinho.

Foi ver as outras galinhas. Atrás da porta havia dois ovos, ainda quentes. Mais nada.

Dois ovos chegavam. A avó fez dois ovos mexidos, e o Rui comeu pão com mel.

Depois voltou ao galinheiro, sentou-se ao lado da Pintada e ficou a ouvir. Pi, pi, pi, fazia o pintainho. A Pintada fazia cócó, cócó, muito baixinho. E a palha estava morna debaixo da mão do Rui.