Profissões da comunidadePortuguês
O Portão que Cantava
O fazendeiro Pedro tinha um portão que cantava. Quando abria, não fazia nhéc. Fazia lá-lá-lááá, uma musiquinha igual a de uma flauta. Ninguém na fazenda achava isso esquisito.
Toda manhã, Pedro levava uma cesta para o galinheiro. Ele queria os ovos para o café da manhã, e os netos já esperavam à mesa, com fome.
Naquele dia, a cesta voltou vazia.
— Que estranho — disse Pedro. — Ontem tinha seis ovos.
Ele olhou nos ninhos, um por um. Só encontrou palha. Olhou atrás do balde e embaixo do banco. Nada.
— Dona Galinha Mimosa, você sabe onde estão os ovos?
A galinha Mimosa nem se mexeu. Estava sentada bem quietinha, de olhos fechados, dormindo.
— Ah, é a única que sabe — suspirou Pedro. — E está dormindo.
Ele tentou acordar a galinha com um assobio. Ela só ajeitou as penas. Tentou bater palmas bem baixinho. Nada de novo.
Então Pedro parou e prestou atenção. Do outro lado da cerca vinha um barulhinho: pip, pip, pip.
Ele voltou ao portão e abriu. Lá-lá-lááá, cantou o portão. E no meio da música, o pip, pip ficou mais forte.
Pedro seguiu o som até um canto do galinheiro. Atrás de um saco de milho, estava um ninho escondido. Dentro dele, seis ovos, e um deles balançava um pouquinho.
— Ah! — disse Pedro, bem baixo. — Você escondeu os ovos, Mimosa. Não era para o café. Era para os pintinhos.
Nessa hora, a casca fez crec. Um biquinho amarelo espiou para fora.
Pedro sorriu e voltou para casa com a cesta vazia. Os netos fizeram cara de dúvida.
— Hoje o café é pão com leite — ele disse.
Lá fora, o portão cantou lá-lá-lááá, e o pip, pip, pip respondeu do galinheiro, de pertinho.