Profissões da comunidadePortuguês
O Cogumelo no Cantinho da Dona Lúcia
Quando a Isabella chegou à biblioteca, viu um cogumelo vermelho crescendo no tapete.
Ele ficava bem no cantinho preferido da bibliotecária, ao lado da poltrona verde. Era pequeno, com bolinhas brancas, e balançava um pouquinho, como se estivesse rindo.
A Isabella tinha um trabalho importante. Todo sábado, ela levava o livro de histórias da Dona Lúcia até aquela poltrona. A Dona Lúcia lia em voz alta, e as crianças sentavam no tapete para ouvir.
Mas o livro era grande e pesado. E o cogumelo estava bem no caminho.
— Com licença — disse a Isabella.
O cogumelo não saiu do lugar. Cogumelos nunca saem.
Ela tentou dar a volta por um lado. A pilha de almofadas ficava ali, e a Isabella quase caiu. Tentou pelo outro lado. Ali tinha o cesto de lã da Dona Lúcia, cheio de novelos.
— Ai, ai, ai — sussurrou a Isabella. — Não cabe.
Ela ficou parada, de olho no cogumelo. Então reparou numa coisa: ele tinha uma sombra comprida e fininha. A sombra ia até a prateleira de baixo, onde havia um livro de borboletas com a lombada para fora.
— Você está me mostrando alguma coisa? — perguntou ela.
Ela puxou o livro de borboletas. Atrás dele, tinha uma tampinha de pote cheia de água. Era o lugar onde o cogumelo bebia.
— Ah! — disse a Isabella. — Você nasceu aqui porque a Dona Lúcia derrubou água quando regou a samambaia.
Ela colocou o livro grande de histórias numa almofada. Empurrou a almofada devagarinho, como um barquinho, por cima do tapete, e passou ao redor do cogumelo.
Plop! O livro chegou na poltrona.
A Dona Lúcia entrou, sentou e olhou para o tapete.
— Um cogumelo! — disse ela. — Então esse é o meu cantinho preferido mesmo.
As crianças chegaram. A Dona Lúcia abriu o livro e começou a ler baixinho. O cogumelo balançava, balançava, e a Isabella ouvia, encostada na poltrona verde.