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Fabulada

Profissões da comunidadePortuguês (Portugal)

O Cantinho das Almofadas

A biblioteca da vila tinha uma janela redonda e um canto escondido atrás das estantes.

A bibliotecária chamava-se Rita, e aquele era o seu cantinho preferido. Todas as tardes, Rita queria sentar-se ali com o seu livro de capa azul e uma chávena de chá.

Mas, naquela tarde, o cantinho estava vazio. Não havia almofadas! Só o chão de madeira, frio e liso.

– Onde estão as minhas almofadas? – perguntou Rita.

Olhou para a esquerda. Olhou para a direita. Nada.

Rita lembrou-se de que, de manhã, as crianças tinham feito uma tenda de almofadas para a hora do conto. Foi ver à sala grande. A tenda estava lá, mas tinha só duas almofadas. As outras eram cobertores.

– Só metade! – disse Rita. – Onde está a outra metade?

Procurou debaixo da mesa. Procurou dentro do cesto dos brinquedos. Só encontrou um sapato e um novelo de lã.

Então ouviu um barulhinho. Fof, fof, fof.

Rita parou. O barulho vinha da janela redonda. Rita espreitou lá para fora e viu o gato do padeiro, deitado numa pilha de almofadas fofas, a dormir de barriga para o ar.

– Ah! – riu-se Rita. – Foste tu!

O gato abriu um olho. Ronronou, como quem diz: «Esta cama é minha, até ao pôr do sol.»

Rita pensou. Não podia tirar o gato à força. Então, foi buscar uma bolacha de manteiga à cozinha e pô-la junto à porta.

O gato farejou. Esticou-se, bocejou e saiu atrás da bolacha, passo a passo, até ao fundo do corredor.

Rita apanhou as almofadas, uma a uma, e levou-as para o cantinho. Pôs uma atrás das costas, outra debaixo dos pés, e uma pequenina ao colo.

Sentou-se, abriu o livro de capa azul e soprou o chá quente.

Lá fora, o gato ronronava junto à porta, e o sol dourado entrava pela janela redonda, devagarinho, até lhe tocar nos pés.