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Fabulada

Profissões da comunidadePortuguês

Os Sinos da Rua Pequena

A rua Pequena ficava no alto do morro, com casas de todas as cores e uma fonte na praça que soltava bolhas quando alguém cantava por perto.

Todo dia de manhã, a carteira Valentina saía com a bolsa cheia de cartas. Ela tinha uma bicicleta azul com um sino que fazia trim-trim.

Naquela manhã, Valentina tinha uma carta especial. Era do vovô Zeca para a netinha Lia, e ele tinha pedido:

— Entrega antes de a Lia acordar, Valentina. É surpresa.

— Eu prometo — disse ela.

Valentina pedalou. Deixou o jornal na casa verde. Deixou a conta na casa amarela. Mas, na casa vermelha, a bicicleta parou de repente. O sino tinha caído da bicicleta e rolava pela rua: tlim, tlim, tlim, até sumir no mato.

— Ai, meu sino! — disse Valentina. — Sem ele, a Lia vai me ouvir chegar e acordar.

Ela procurou no mato. Só achou uma pedra e uma formiga. Procurou atrás do muro. Só achou um gato dormindo, que nem abriu o olho.

Valentina sentou na calçada e pensou. Então ouviu um barulhinho vindo da praça: blub, blub, blub. Uma senhora cantava baixinho enquanto regava as flores, e a fonte soltava bolhas pequenas e brilhantes.

Valentina sorriu.

— Eu tenho uma ideia!

Ela correu até a fonte e cantou bem fininho, pé ante pé. As bolhas saíram aos montes. Ela encheu as mãos e foi andando, devagar, bem devagar, até a casa da Lia. As bolhas foram flutuando atrás dela, sem fazer nenhum barulho.

Na janela, a Lia dormia com a boca aberta. Valentina pôs a carta na caixinha da porta, sem um som.

Então as bolhas subiram, uma por uma, e estouraram no ar: plic, plic, plic. Dentro da casa, a Lia se mexeu, sorriu e continuou dormindo.