Família e larPortuguês (Portugal)
A Pedra da Sofia
Sofia é a única lontra da família que tem uma pedra só dela. Chama-lhe Pipo. É lisa, redonda e cabe mesmo debaixo do braço.
Hoje a família faz um piquenique à beira do rio. A mãe traz uma amêijoa grande, de casca bem dura.
— Quem quer abri-la? — pergunta.
— Eu! — diz Sofia. — Eu e o Pipo!
Sofia corre para a pedra plana junto à água, onde as lontras partem as conchas. Mas já lá está alguém. É a Dona Rita, a tartaruga, deitada ao sol, de olhos fechados.
— Bom dia, Dona Rita. Posso ficar com a pedra plana?
— Hoje não, querida — diz a tartaruga. — Eu só venho aqui para apanhar sol.
Sofia vai para a lama. Bate com o Pipo na concha. Pof, pof. A concha nem se mexe. Vai para a areia. Pof, pof. Nada.
— Pipo, e agora?
Depois da chuva, há poças por todo o lado. Sofia salta numa delas. Bum! A poça devolve-a ao ar, como um tambor. Sofia ri e salta outra vez. Bum! Bum!
Depois pára. Olha para a concha. Olha para a poça. Olha para o Pipo.
— Já sei! — diz ela.
Sofia pousa o Pipo na relva, bem ao lado da poça. Põe a concha no meio da água. Respira fundo e salta com toda a força.
Bum!
A concha sobe, sobe, sobe, e gira no ar. Depois cai mesmo em cima do Pipo.
Truc!
A casca abre-se ao meio. Lá dentro está a amêijoa, gordinha e brilhante.
— Fui eu! — grita Sofia. — Fui eu e o Pipo!
A mãe bate palmas. O pai assobia. Os irmãos chegam a correr, de bigodes a pingar.
Dona Rita abre um olho, diz "hum", e fecha-o outra vez.
Sofia senta-se na relva, com o Pipo quentinho debaixo do braço. A poça ainda treme devagarinho, bum... bum... bum... até ficar quieta como um espelho.