Família e larPortuguês (Brasil)
O Limão Teimoso da Vovó
Valentina está em cima do banquinho, com as duas mãos em volta de um limão. Ele é redondo e amarelo, como um solzinho, e cresce num galho que entra pela janela da cozinha da vovó.
— Vovó, eu pego o limão para a limonada! — diz ela.
— Pega, sim, meu bem. Eu espero aqui — diz a vovó, e mexe a jarra com a colher grande.
Valentina puxa, puxa, e nada. O galho se curva, se curva, mas o limão não solta. Ela larga. O galho volta com um tóim! e sacode todas as folhas. Pimenta, o gato, que dormia no parapeito tomando sol, pula no chão com o pelo em pé. Ele olha feio para Valentina e vai se deitar debaixo da mesa.
— Desculpa, Pimenta — diz ela.
Valentina tenta outra vez. Agora se pendura no limão com o corpo todo. Puxa, puxa, e nada. O galho desce até quase o nariz dela, e o limão continua lá, teimoso.
Ela se senta no banquinho, cansada, e canta baixinho uma musiquinha sem importância:
— Lá, lá, limão, não quer vir não...
Pfffff! A torneira da pia sopra um monte de bolhas. Na cozinha da vovó é assim: a torneira gosta de música, e ninguém acha estranho. As bolhas sobem, rodam e brilham. Uma bolha grande pousa no limão e fica girando devagar, igual à tampa de um pote.
Valentina olha. A vovó nunca puxa a tampa do pote de goiabada. A vovó gira.
Ela segura o limão com cuidado e gira, gira, gira. Plec! O limão solta na mão dela, e o galho nem balança.
— Vovó! Eu não puxei. Eu girei!
— Olha só, que moça esperta — diz a vovó.
O limão vira limonada, e Valentina canta mais um pouquinho só para a torneira. Uma última bolha voa até debaixo da mesa e pousa no nariz do Pimenta.
— Atchim! — faz o gato, e a bolha estoura.