Família e larPortuguês
A Ponte que Cantarola
A ponte da vila cantava. Cada passo fazia uma nota diferente, e ninguém achava isso estranho.
Manuela esperava o avô na ponte, de mãos dadas com o seu coelho de pano. Ele vinha de longe e ia chegar no ônibus das quatro. Ela queria fazer uma surpresa: pisar nas tábuas até tocar a música que o avô cantava de manhã.
— Dó, ré, mi... — disse ela, bem baixinho.
Pisou na primeira tábua. Plim. Pisou na segunda. Plão. Não era a música. Era uma música toda errada.
— Vamos de novo — disse Manuela.
Tentou pular com um pé só. Plim-plim-plão! O coelho balançou, e a ponte soltou um barulhinho engraçado, como um espirro.
Um sapo estava sentado no corrimão, tomando sol. Ele olhou para Manuela e fez "croac", e voltou a fechar os olhos. Ele estava ali para tomar sol, e só.
Manuela tentou andar de lado. Tentou andar de costas. Tropeçou, e a ponte fez "pliiiu", comprida e desafinada. O sapo abriu um olho.
Ela sentou na tábua do meio e suspirou. Então ouviu um barulho de ônibus lá longe. Chegou mais perto, mais perto. Manuela esticou o pescoço e viu o avô descer, com a mala velha na mão.
Ele começou a atravessar. Passo, passo, passo. Manuela ficou quieta e escutou. A ponte cantava debaixo dos sapatos dele: plim, plão, plim, plim. Era a música da manhã! Ela só precisava prestar atenção nos passos dele.
— Vô! — gritou Manuela. — Não para!
Ela correu e pisou nas mesmas tábuas que ele pisava, uma depois da outra. Plim, plão, plim, plim. O avô riu e pegou a mão dela. Os dois atravessaram juntos, cantando com a ponte.
O sapo balançou a cabeça, croac, e a ponte ainda cantou baixinho, sob os pés dos dois.