Família e larPortuguês (Brasil)
Geleia na Porta da Toca
Alice encontrou um pote de geleia na porta da toca, com um laço de capim e o nome dela na tampa.
— É para a vovó — disse a mamãe. — Leve até o outro lado do rio, antes de a flor-da-lua abrir.
No jardim da margem, cada flor abria na sua hora. A amarela abria de manhã. A vermelha abria na hora do almoço. A flor-da-lua só abria com a primeira estrela, e a vovó adorava comer geleia olhando para ela.
Alice queria chegar a tempo. Pôs o pote debaixo do braço e atravessou as pedras do rio, devagarinho, devagarinho. Plic, uma pedra. Plic, outra pedra. O pote nem balançou.
O irmãozinho Tito foi atrás. Ele só queria ver a flor abrir.
Do outro lado, a vovó estava de costas, olhando para o céu. Alice se escondeu atrás de uma pedra e puxou a tampa. Nada. Puxou de novo, com as duas patas. Nada. A tampa estava presa como um caracol na casca.
— Eu ajudo — disse Tito. Os dois puxaram juntos, e os dois caíram sentados na grama. O pote continuou fechado.
Alice respirou fundo. Puxar não dava certo. Então ela olhou em volta. Um sapo batia uma castanha numa pedra: toc, toc, toc. Ele só queria a castanha, e nem olhou para eles. Mas a castanha abriu.
— Toc, toc, toc — disse Alice baixinho.
Ela bateu a beirada da tampa na pedra. Toc, toc, toc. Pop! A tampa saltou, e um pouco de geleia espirrou bem na ponta do nariz dela.
Tito deu uma lambida.
— Nariz de amora! — disse ele, e os dois riram.
A vovó se virou. No céu apareceu a primeira estrela. No jardim, a flor-da-lua abriu devagarinho, branca e redonda, e Alice sentiu o cheirinho doce da geleia subindo no ar.