Estações e climaPortuguês (Portugal)
O feijão atrás dos vasos
A Inês queria que a chuva molhasse o seu feijão.
O feijão morava no vaso mais pequeno, o azul, no fundo do parapeito. À frente dele havia vasos de todos os tamanhos, cheios de folhas. A chuva caía lá fora, plim, plim, mas só molhava os vasos da frente.
– Avó, o meu feijão está com sede!
– Tens até a chaleira ferver – disse a avó, a tirar duas chávenas do armário. – Depois fecho a janela, que entra frio.
A Inês esticou o braço. Não chegava. Esticou mais, e o vaso grande da hortelã abanou.
– Cuidado! – disse a avó, sem se virar.
A Inês tentou outra vez. Com a colher de pau, puxou o vaso azul pela borda. A colher escorregou e fez toc contra a janela. O feijão ficou onde estava.
– Não consigo, avó.
– Então pensa mais um bocadinho.
A Inês olhou para o parapeito. Reparou numa coisa. A chuva caía na folha larga do gerânio e escorria pela folha, como num escorrega pequenino. No fim da folha, as gotas saltavam para o chão.
– Ah! – disse a Inês.
Com um dedo, devagarinho, dobrou a folha para o lado. A folha ficou inclinada, como uma colher. E a água escorregou pela folha, plim, plim, e pingou mesmo em cima do vaso azul.
– Avó! Olha! O feijão está a beber!
– Estou a ouvir – disse a avó, a sorrir.
Na cozinha, a chaleira começou a apitar.
– Piiiiiii!
A avó chegou à janela com as duas chávenas. Não fechou nada. Ficaram as duas a ver a folha, a ouvir a chuva e a cheirar o chá quente, enquanto a terra do vaso azul ficava cada vez mais escura.