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A Sementinha do Bernardo
— Eu vou plantar uma sementinha — disse Bernardo, segurando o punho fechado bem apertado.
Dentro da mão dele havia uma semente pequena e redonda, marrom como um grão de café. Ele queria ver uma plantinha crescer no vaso azul da janela. Queria tanto que já tinha escolhido o lugar.
Bernardo encheu o vaso de terra. Fez um buraquinho com o dedo. Pôs a semente lá dentro e cobriu com cuidado.
— Pronto. Agora cresce — disse ele.
Mas nada aconteceu. A terra ficou quietinha.
Bernardo esperou um pouco. Esperou mais um pouco. Depois cavou de novo e olhou.
— Você ainda está aí? — perguntou à semente. A semente não respondeu.
Ele cobriu outra vez. Soprou na terra. Fez uma dancinha em volta do vaso. Nada.
Na janela, o galo da vizinha cantou lá fora, bem no meio da tarde. Era um galo que cantava as horas ao contrário quando o céu estava cinzento, e ninguém achava isso estranho. Ele só queria avisar que a chuva vinha.
— Cocoricóóó! — fez o galo, e foi embora, porque tinha o que fazer.
Bernardo ficou olhando o céu. Primeiro caiu uma gota no parapeito. Depois outra. Depois muitas, tamborilando no vidro.
Ele pensou. A semente estava com sede, talvez. Ele tinha esquecido a água!
Bernardo correu e pegou o copinho de plástico. Mas lá fora a chuva já estava regando tudo. Então ele fez uma coisa nova: empurrou o vaso para fora, onde a chuva caía, e deixou a terra beber.
Plic, plic, plic.
A terra ficou escura e macia, como pão molhado no leite.
— Agora é só esperar — disse Bernardo baixinho. — Esperar é difícil, mas eu consigo.
Ele se sentou no chão, perto do vaso, com o queixo apoiado no parapeito. A chuva fazia plic, plic, plic. Lá fora, o galo cantava a hora errada, de novo, mais longe.
Bernardo fechou os olhos, ouviu a chuva e sentiu a terra cheirando a terra, bem pertinho do nariz.