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O Cata-Vento da Laura
Quando a Laura abriu o portão do quintal, viu o cata-vento girar e girar e parar, bem apontado para o canteiro.
Ninguém ali achava isso estranho. O cata-vento da vovó sempre apontava para o que estava perdido no jardim.
Hoje a Laura estava com um pacotinho de papel na mão. Dentro dele havia uma sementinha preta, miúda como uma formiga.
— Vou plantar você — disse a Laura. — E vai nascer uma flor bem grande.
Ela cavou um buraquinho com a colher. Deitou a semente lá dentro e cobriu de terra. Depois deu três palmadinhas. Pof, pof, pof.
Mas aí o cata-vento deu um rangido e virou, apontando para o canteiro.
— Ué — disse a Laura. — O que se perdeu ali?
Ela olhou, olhou e não viu nada. Só terra. A sementinha não estava mais lá!
A Laura cavou de novo. Nada. Cavou mais fundo. Nada. Tinha plantado a semente tão escondida que nem ela sabia onde estava.
— Sementinha, cadê você? — chamou, baixinho.
Uma minhoca saiu da terra, balançou o corpo e voltou a entrar. Ela só queria passear, não ia ajudar ninguém.
A Laura sentou no chão e pensou. Cavar não resolvia. Então ela olhou o cata-vento de novo. A ponta dele não apontava para o buraco grande. Apontava para um pontinho ali ao lado, onde a terra estava um pouco mais alta.
— Será que você se mexeu? — perguntou a Laura.
Com a pontinha do dedo, ela tirou a terra de cima. E ali estava a sementinha preta, quietinha. A minhoca tinha empurrado a semente para o lado sem querer!
A Laura riu. Fez um buraco novo, bem do lado do primeiro. Colocou a semente dentro e deu três palmadinhas. Pof, pof, pof. Depois enfiou um palito de sorvete na terra para marcar o lugar.
Ela regou com a caneca, devagarinho. A água fez um barulhinho e sumiu na terra escura.
O cata-vento ficou parado. Não havia mais nada perdido.
A Laura encostou o ouvido no palito e escutou o vento passando, macio, por cima da terra molhada.