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Fabulada

Estações e climaPortuguês (Portugal)

A Sementinha da Mariana

A Mariana encontrou uma sementinha dentro do bolso do casaco. Era pequenina e preta, e tinha uma pontinha branca, como um chapéu.

— De onde vieste tu? — perguntou ela.

A semente ficou calada. Mas a Mariana lembrou-se: era do tomate que o avô lhe deu a provar na cozinha. Ela queria muito plantar a semente e ver nascer um tomateiro, para o avô comer tomates a sério.

Foi ao quintal. Não havia vaso. Não havia pá. Havia só uma lata velha de bolachas, ao pé do muro.

A Mariana encheu a lata de terra com as mãos. Fez um buraquinho com o dedo. Pôs lá a semente e cobriu-a devagarinho.

— Cresce, sementinha — disse ela. — Cresce, cresce.

Esperou. Nada.

Esperou mais um bocadinho. Nada outra vez.

— Sementinha, estás a dormir?

Então a Mariana teve uma ideia. Encostou o ouvido à terra. Ouviu um barulhinho muito pequeno. Tic, tic, tic. Era só uma minhoca a passar. A minhoca saiu da terra, espreguiçou-se e foi à vida dela. Não tinha vindo ajudar ninguém, só procurava um sítio fresco.

— Ah! — disse a Mariana. — A terra está seca. Tu tens sede, sementinha?

Correu à cozinha e trouxe o copo de água do avô. Mas tropeçou no degrau, e a água saltou toda, chap!, direitinha para o chapéu dela.

A Mariana ficou com o cabelo a pingar. Riu-se tanto que teve de se sentar.

Depois voltou à lata, com mais cuidado, e trouxe outro copo. Desta vez foi devagar, passo a passo. Deitou a água aos poucos, e a terra bebeu tudo.

— Cresce, sementinha — disse ela. — Cresce, cresce.

O sol aqueceu a lata. A terra escureceu, fresca e molhada. A Mariana sentou-se ao lado, com o cabelo ainda a pingar, e ficou a ouvir o quintal em silêncio.