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A Bola de Neve da Rita
Do céu caía pó branco, e não fazia barulho nenhum.
A Rita ficou à janela, de boca aberta. Nunca tinha visto neve. O quintal parecia um bolo com açúcar por cima.
– Vou fazer um boneco! – disse ela.
O avô tinha escrito num papel como se fazia. Mas o vento levou o papel, e ninguém sabia o que lá estava.
A Rita vestiu o casaco e saiu. A sombra dela ficou lá atrás, a bocejar. Naquela terra, as sombras só chegavam ao pé de toda a gente ao meio-dia, e ninguém achava isso esquisito.
Primeiro, a Rita apanhou um punhado de neve e apertou, apertou. Pufff! Desfez-se tudo.
Depois, juntou um monte e pôs mais neve em cima. O monte escorregou e sentou-se no chão.
Um pardal pousou ali, à procura de migalhas. Bicou, bicou, e não achou nenhuma. Sacudiu a cauda e foi-se embora.
– Eu também não achei nada – disse a Rita, e sentou-se.
Então reparou numa coisa. Uma bolinha tinha rolado pelo quintal abaixo. Atrás dela ficara uma risca verde na relva, e a bolinha estava maior.
A Rita levantou-se de um salto.
– Devagar, devagarinho – disse.
Fez uma bolinha e empurrou. Croc, croc, croc, ia a neve a ranger debaixo das botas. A bola crescia, crescia, e a Rita ia atrás dela.
– Devagar, devagarinho!
Mas a bola ficou grande, grande, e mais rápida do que ela. Foi direita à árvore e fez plof! Uma chuva de neve caiu na cabeça da Rita.
Ela riu-se até ficar com a barriga a doer.
Rolou outra bola mais pequena e pô-la em cima da grande. O pardal voltou e pousou na cabeça do boneco, só para espreitar.
Nessa altura, o sino tocou ao meio-dia. A sombra da Rita chegou a correr, ofegante, e ficou ao lado do boneco.
A Rita pôs as mãos nos bolsos. O quintal estava branco e quieto, e só se ouvia a neve a ranger, croc, croc, debaixo das botas dela.