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Fabulada

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Folhas Laranjas do Bernardo

Quando Bernardo abriu a porta, o quintal inteiro tinha mudado de cor. A árvore grande, que era verde ontem, estava cheia de folhas laranja.

— Olha! — disse ele. — A árvore ficou acesa!

Bernardo queria guardar aquele laranja. Queria levar uma folha para a escola, para mostrar à professora. Mas a árvore era alta, e as folhas estavam lá em cima.

Ele esticou o braço. Nada. Pulou, pulou, pulou. Nada.

— Folha laranja, desce aqui — pediu Bernardo.

A folha não desceu.

Então ele pegou a vassoura e levantou bem alto. A vassoura fez vush no ar, mas só balançou um galho vazio.

Bernardo sentou no chão e fez bico. Foi aí que ouviu um barulhinho: crec, crec, crec.

Era Dona Esquilo, de bochecha cheia, andando entre as raízes. Ela não estava ali para ajudar ninguém. Estava juntando bolotas para o inverno, e só.

— Desculpa, Bernardo — disse ela. — Estou ocupada. Tenho muita bolota para guardar.

Ela passou correndo e, sem querer, esbarrou num montinho de folhas no chão. As folhas voaram para cima e caíram em cima do nariz dele.

Bernardo olhou. Eram folhas laranja. Estavam no chão o tempo todo, bem ali, debaixo dos seus pés.

— Ah! — disse ele. — Não precisa pegar lá em cima.

Ele escolheu a folha mais redonda. Estava um pouquinho seca e fazia crec quando ele apertava, igualzinho à Dona Esquilo.

— Obrigado, Dona Esquilo! — gritou Bernardo.

— Eu não fiz nada! — respondeu ela, sem parar de correr.

Bernardo riu. Segurou a folha contra o céu e o sol passou por ela, como se fosse uma lanterna pequena.

Ele apertou de novo, bem de leve: crec. E o quintal ficou quietinho, laranja, ouvindo.