Imaginação e fantasiaPortuguês (Brasil)
O Barquinho Pirata da Laura
— Plim, plim, plim — fez alguma coisa dentro da caixa de brinquedos.
Laura parou de escovar os dentes e foi ver. Era o sino do seu barquinho pirata. Ele tocava sozinho quando o mar da banheira estava pronto.
Laura queria uma coisa só: levar o barquinho até a ilha de sabão, do outro lado da banheira. Lá, dizia o mapa, ficava o tesouro: uma moeda de chocolate que o vovô tinha escondido.
— Vamos, capitão Bigode! — disse ela.
O capitão Bigode era um patinho de borracha. Ele ia sentado na proa, com um chapéu de papel.
O barquinho saiu devagar. Mas no meio da banheira ele parou.
— Ué — disse Laura. — Por que você parou?
Ela soprou a vela. Nada. Ela empurrou com o dedo. O barquinho girou, girou e voltou para o mesmo lugar.
— Vem, barquinho, vem!
Laura olhou bem de perto. Uma bolha enorme tinha grudado embaixo do barco, feito um travesseiro de sabão.
— Será que a bolha está segurando você?
Ela tentou estourar a bolha com o dedo. Mas a bolha só escorregava.
Então Laura teve uma ideia. Ela encheu as bochechas e soprou, não na vela, e sim na água, bem rente ao barco.
Fuuuuu! Uma ondinha correu pela banheira. A bolha deu um pulinho, saiu de baixo do barquinho e foi embora, rolando.
— Agora, sim! — gritou Laura.
O barquinho disparou. Mas ele foi rápido demais e bateu na ilha de sabão. O capitão Bigode caiu de cabeça na espuma, com o chapéu torto.
Laura riu tanto que a banheira inteira balançou.
Ela tirou o patinho da espuma e achou, bem ali, a moeda de chocolate, brilhando no papel dourado.
— Tesouro! — disse ela baixinho.
O sino fez plim, uma última vez. A água ficou quietinha. E a bolha, lá longe, estourou sem fazer barulho nenhum.