Profissões da comunidadePortuguês (Brasil)
O Pão Que Não Cresceu
Quando Helena, a padeira, acendeu a luz da cozinha, havia uma pena azul dentro da massa.
— Quem deixou uma pena na minha massa? — ela perguntou.
Ninguém respondeu. Era madrugada, e a rua ainda dormia. Helena sempre acordava antes do sol. Ela queria uma coisa só: que, quando as crianças da rua abrissem a porta, o cheiro de pão quentinho já estivesse lá fora, esperando.
Mas a massa não queria crescer. Ficava baixinha, achatada, igual a um travesseiro vazio.
Helena cobriu a tigela com um pano. Esperou. Nada.
— Vai crescer, vai crescer — disse ela.
Não cresceu.
Então Helena pôs a tigela perto do forno, onde era mais quente. Esperou de novo. A massa continuou baixinha.
Foi quando ouviu, lá em cima, no telhado: piu... piu... piu...
Helena subiu na escada e olhou pela janelinha. Um passarinho azul estava sentado num ninho torto, tremendo de frio. Faltava uma pena na asa dele.
— Ah! — disse Helena. — A pena é sua.
O passarinho piou baixinho. Ele só queria um cantinho quentinho, e o telhado da padaria era o mais quente da rua.
Helena olhou para a tigela. Depois olhou para o passarinho. E teve uma ideia.
Ela desceu, pegou a tigela, e levou a massa para cima, até o telhado, onde o ar da chaminé subia morno. Deixou o pano em cima e o passarinho ficou ao lado, quietinho.
Piu... piu... piu...
O pano começou a mexer. Devagarinho, subiu. Subiu mais. Parecia uma barriga respirando.
— Cresceu! — Helena riu.
Logo o forno estava cheio de pãezinhos dourados. O sol apareceu, e o cheiro de pão saiu pela rua inteira.
Lá em cima, o passarinho azul dormia aquecido, com a penugem se mexendo ao ritmo da chaminé: piu... piu... piu...