Amizade e gentilezaPortuguês (Brasil)
Heitor e o Cesto Amarelo
Heitor carregava o cesto amarelo pelo mercado, bem devagar, com as duas mãos. Dentro dele ia um ovo de pedra, liso e pintado de azul. Era o ovo da Dona Nena, e ela tinha emprestado só por hoje.
— Cuidado, Heitor — ela disse. — Esse ovo é o meu preferido.
— Eu cuido — ele prometeu.
Heitor queria só uma coisa: levar o ovo até a barraca dos cestos e mostrar para a Lia, a amiga dele. Mas, no caminho, viu o cachorro Pipoca correndo. Heitor correu também. O cesto balançou, balançou, e o ovo caiu.
Crec!
O ovo de pedra rachou no meio, em dois pedaços.
Heitor ficou parado. Sentiu a barriga esquisita, como se tivesse engolido uma pedrinha. Os pés dele deixaram marcas que brilhavam de leve, como sempre acontece naquele lugar. Por uma hora, todo mundo podia ver por onde ele tinha andado.
Primeiro ele escondeu os pedaços debaixo de um cesto vermelho. Mas as pegadas brilhantes iam direto até lá.
Depois ele tentou colar os pedaços com uma folha. Não grudou.
Então Heitor olhou para as próprias pegadas. Elas voltavam, uma por uma, até a barraca da Dona Nena. Ele respirou fundo e seguiu o caminho de volta, pisando em cada marca.
— Dona Nena — ele disse, com a voz bem baixinha. — Eu corri e o ovo caiu. Desculpa. Eu prometi cuidar e não cuidei.
Dona Nena pegou os dois pedaços e olhou para eles, quieta.
— Obrigada por me contar — ela disse. — Isso me deixa menos triste.
Então ela sorriu e juntou as duas metades. Elas faziam um barquinho azul.
— Olha — disse ela. — Cabe uma formiga aqui.
Heitor riu. Pipoca latiu e pulou dentro do cesto amarelo.
Lá fora, as pegadas de Heitor ainda brilhavam no chão, e uma por uma foram apagando, devagarinho.