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Fabulada

Amizade e gentilezaPortuguês (Brasil)

Uma Flor no Cestinho

— Bom dia! — gritou Alice da janela.

Mas o homem da capa cinza não ouviu. Ele passou pela calçada de cabeça baixa, como todas as manhãs.

Alice morava no segundo andar, num apartamento com um jardim no parapeito. Eram vasos grandes, vasos pequenos e uma lata de goiabada com manjericão. Ela via o homem passar todo dia, e ele nunca sorria. Alice queria que ele sorrisse, nem que fosse um pouquinho. Queria dar a ele uma palavra gentil.

No dia seguinte, ela tentou de novo.

— Bom dia, moço! Bom dia!

Um ônibus passou fazendo barulho e a voz dela sumiu. O homem seguiu andando.

Então Alice escreveu um bilhete e jogou da janela. O papel girou, girou e pousou na cabeça de um pombo. O pombo sacudiu o bilhete e foi embora, ofendido.

— Hum — disse Alice.

Ela ficou olhando a calçada. Foi aí que reparou numa coisa. O homem não olhava para ninguém, mas todo dia, na frente do prédio, ele diminuía o passo. Ele olhava para o gerânio vermelho, o mais bonito do parapeito.

— Ah! — disse Alice.

Ela pegou o cestinho de pendurar o novelo da vovó e amarrou uma corda comprida. Escreveu num papel: "Bom dia! Esta flor é para você." Colocou o papel no cestinho, com uma florzinha vermelha por cima.

Depois foi descendo o cestinho, devagar. Ele bateu na parede. Toc. Bateu na janela de baixo. Toc, toc. Lá embaixo, o cestinho ficou balançando bem na frente do nariz do homem.

Ele parou. Leu o papel. Levantou a cabeça e viu Alice lá no alto, com a corda na mão.

— Bom dia! — disse Alice, e dessa vez ele ouviu.

O homem pegou a flor e riu. Um riso pequeno, que subiu até a janela.

— Bom dia, menina — disse ele. — Obrigado.

Ele foi andando pela calçada, assobiando, com a florzinha vermelha na capa cinza. Alice ficou na janela, ouvindo o assobio ficar bem baixinho, até sumir.