Amizade e gentilezaPortuguês
Davi e o Balanço do Salgueiro
Davi balançava as pernas no ar, para frente e para trás, quando viu o balanço do salgueiro. Era o melhor da beira do rio. Pendia de um galho comprido, bem acima das pedras lisas.
Mas a Lia já estava nele. Ia lá no alto, rindo.
— Eu quero o balanço — disse Davi. — Quero muito, muito.
Ele ficou parado ao lado do galho. Esperar era a pior parte. Os pés dele não paravam quietos.
— Lia, é a minha vez?
— Já, já! — disse a Lia.
Mas o "já, já" demorou. Davi tentou olhar bem feio. Não adiantou. Tentou suspirar bem alto. A Lia só balançou mais.
Então Davi ouviu um barulho esquisito.
Pof-pof, pof-pof.
Ele olhou em volta. Ali perto, tinha uma poça. Um sapo pulou nela, e a poça fez pof, como um tambor. Depois um besouro pousou, e a poça fez pof de novo, bem baixinho.
Davi riu. Pulou na poça com os dois pés.
POF!
A poça quicou e jogou ele para cima. Ele pulou outra vez. Pof! E mais uma. Pof! Contou cada pulo, alto, para a Lia ouvir.
— Um! Dois! Três!
A Lia parou de balançar para olhar.
— Que barulho é esse?
— É a poça tambor! — disse Davi. — Vem ver!
A Lia desceu do balanço. Os pés dela fizeram plaf nas pedras. Ela correu até a poça e pulou. Pof! Pof!
O balanço ficou vazio, indo devagarinho, de lá para cá.
Davi viu. Ele sorriu, andou até o galho e se sentou.
— Agora é a minha vez — disse ele.
— Pode ir, Davi! — gritou a Lia, de dentro da poça. — Eu espero!
Davi foi para o alto, com o vento nos cabelos. Embaixo, a poça fazia pof, pof, pof, e as folhas do salgueiro faziam cócegas no rosto dele.