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Fabulada

Amizade e gentilezaPortuguês

Uma Palavra para o Moço da Ponte

— Bom dia! — disse Alice, mas o moço da ponte nem olhou.

Alice queria muito uma coisa: fazer o moço sorrir. Ele passava todo dia com um saco nas costas, de cabeça baixa, e ninguém sabia o nome dele.

Na vila de Alice, todo mundo trocava coisas na feira. Um trocava ovo por mel. Outro trocava botão por fita. Alice tinha uma palavra gentil no bolso e queria trocar por um sorriso.

— Bom dia! — disse de novo, mais alto.

O moço só apertou o passo.

Alice correu atrás. Mas o saco do moço fez tum, e uma laranja saiu rolando. Alice correu atrás da laranja. A laranja rolou mais rápido. Ela quase pegou, e a laranja fugiu outra vez.

— Para, laranja! — disse Alice.

Rola, rola, rola. A laranja foi parar embaixo do espantalho da feira. O espantalho virou devagar, rangendo, para onde os corvos estavam se juntando. Era assim mesmo naquela vila, ninguém achava estranho.

Alice se abaixou, esticou o braço e pegou a laranja.

Ela notou uma coisa. Os corvos estavam em volta do moço, e ele tinha o saco aberto. Dentro havia só pão velho. Ele guardava as migalhas para os corvos! Ele não estava com pressa. Estava com vergonha de ser visto.

Alice pensou: "Bom dia" não serve para ele. Ele precisa de outra palavra.

Ela foi até a ponte e entregou a laranja.

— Você deixou cair. Seus corvos são bem bonitos. Obrigada por cuidar deles.

O moço levantou a cabeça. Os olhos dele ficaram redondos. Depois a boca foi subindo, subindo, de um lado só.

— Meus corvos — disse ele. — Ninguém nunca tinha dito isso.

Um corvo pousou no ombro dele e fez croc. Todo mundo riu.

O moço abriu o saco e deu uma migalha para Alice. Ela jogou para os corvos, e as asas bateram, fof, fof, na luz da manhã.