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Fabulada

Amizade e gentilezaPortuguês (Portugal)

O baloiço do jardim

Rui vê o baloiço subir tão alto que os sapatos do Duarte quase tocam numa nuvem.

Rui quer muito ir no baloiço. Corre até lá e para ao lado.

– Duarte, posso ir a seguir?

– Ainda não – diz o Duarte. – Estou a contar. Um, dois, três...

Naquele jardim, a corda do baloiço sobe mais para quem conta em voz alta. Ninguém acha estranho. É assim desde sempre.

Rui espera. Bate o pé no chão. Suspira, bem fundo.

– Já é a minha vez?

– Ainda não! Quatro, cinco, seis...

Rui tenta outra coisa. Vai ao tanque de areia e faz uma montanha. Mas olha para o baloiço de cinco em cinco segundos, e a montanha fica torta como um chapéu.

Volta para junto da corda. Repara numa coisa. Quando o Duarte conta alto, o baloiço sobe. Quando ele pára para respirar, o baloiço abranda. Range, range, devagarinho.

Rui tem uma ideia.

– Sete! – grita ele. – Oito!

O Duarte ri-se e conta mais alto. O baloiço dá um salto no ar.

– Nove! Dez! Onze! – gritam os dois.

– Doze, treze, catorze!

A corda estica, estica, e já passa o muro do jardim.

– Vinte! – grita o Duarte. – Estou a ver os patos! Estão todos na lagoa!

– Quá! – responde lá de longe um pato, muito zangado, porque se tinha engasgado com uma migalha.

O Duarte salta para a relva e cai sentado.

– Agora é a tua vez, Rui.

Rui senta-se no baloiço. Agarra a corda com as duas mãos.

– Um! – diz ele. – Dois! Três!

O vento passa-lhe pelas orelhas, fresco como água. O baloiço sobe, e Rui já vê o muro, e a lagoa, e os patos a abanar o rabo.

– Quatro! – grita o Duarte cá de baixo. – Cinco!

E a corda faz range, range, range, cada vez mais alto.