Amizade e gentilezaPortuguês (Brasil)
O balanço vermelho
— Só mais dez e eu saio — disse a Lia, e o Heitor começou a contar baixinho.
Ele tinha subido a escada do parquinho correndo. Eram doze degraus para subir, e catorze para descer, mas ninguém achava isso estranho. O Heitor queria só uma coisa: o balanço vermelho, o que ia mais alto de todos.
— Um, dois, três — contou ele.
A Lia foi e voltou, foi e voltou. O balanço fazia ri-iiin, ri-iiin.
— Sete, oito... Lia, já são dez!
— Só mais dez! — disse ela, rindo.
O Heitor suspirou. Ficou parado bem na frente do balanço, com cara de quem quer muito. A Lia nem olhou. Ela estava olhando as nuvens.
Então ele tentou outra coisa. Sentou na terra, encostou o queixo nos joelhos e escutou. Ri-iiin, ri-iiin. O balanço tinha uma música, e a música tinha um ritmo certinho.
— Ri-iiin! — cantou o Heitor. — Um!
— Ri-iiin! — respondeu a Lia, sem querer. — Dois!
— Ri-iiin! Três!
Agora os dois contavam juntos, bem alto, no ritmo do balanço. Um pombo pousou perto, procurando migalha, e ficou olhando de cabeça torta.
— Nove! — gritou a Lia. — Dez!
Ela esticou os pés e parou o balanço com um chuaf na terra.
— Pronto. Agora é a sua vez.
Mas o pombo foi mais rápido. Pulou no assento vermelho e ficou ali, todo inchado, como um rei.
— Ei! — disse o Heitor. — Esse lugar é meu!
O pombo bicou o assento, não achou migalha nenhuma e saiu voando, ofendido. A Lia deu uma gargalhada.
O Heitor sentou, segurou nas correntes frias e esticou as pernas. A Lia empurrou de leve nas costas dele.
Ri-iiin, ri-iiin, fez o balanço. O vento entrou nas orelhas do Heitor, e as pontas das árvores chegaram pertinho dos seus tênis.