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Fabulada

EmoçõesPortuguês (Brasil)

Raiva no Farol

Quando Helena subiu a escada do farol, viu que o cata-vento do jardim girava e apontava para dentro da sua barriga.

Ninguém achava isso estranho. O cata-vento sempre apontava para o que estava perdido. Naquele dia, apontava para ela.

Helena queria só uma coisa: terminar a torre de latas antes de o barco do vovô apitar na baía. Ela olhava pela janela lá de cima e contava as latas. Uma, duas, três, quatro...

Então o gato da vizinha pulou na mesa. Plaft! A torre caiu toda.

Helena sentiu um calor subir pelo peito, como uma chaleira no fogo.

— Eu estou com raiva! — gritou.

A raiva era grande e vermelha e não ficava quieta. Quando ela tentava contar, a raiva mexia, e Helena perdia o número.

Primeiro, Helena bateu o pé no chão. Bum! Não ajudou.

Depois, tentou fazer cara de nada. A raiva continuou pulando por dentro.

O barco do vovô já aparecia lá longe, pequeno como uma folha.

Helena olhou de novo para o cata-vento. Ele ainda apontava para ela.

— Ah — disse baixinho. — Então a raiva é minha. Está aqui.

Ela pôs a mão na barriga. Respirou fundo, devagar, como quem sopra uma sopa quente. Soltou o ar: fuuuu.

A raiva diminuiu um pouquinho. Era do tamanho de uma laranja agora.

Respirou de novo. Fuuuu. Do tamanho de uma uva.

O gato estava sentado perto das latas, sem saber o que fazer. Helena riu um pouco, porque ele parecia envergonhado.

— Vem, gato. Me ajuda a contar.

Ela empilhou. Uma, duas, três, quatro, cinco latas.

O barco apitou lá fora. Pooo!

A torre ficou torta, mas de pé. E o cata-vento, no jardim, girou devagar até apontar para o mar.