EmoçõesPortuguês (Portugal)
O Sapo Azul e a Torre
«Nhac, nhac!», ouviu a Rita vindo do jardim, e correu para o alpendre com a sua caixa de blocos. A Rita queria construir uma torre bem alta para o seu sapo de pano morar. A torre tinha de ser grande para o sapo conseguir ver as borboletas lá do alto.
A Rita empilhou o bloco vermelho, o bloco azul e o amarelo. Mas quando tentou pôr o bloco mais pesado no topo, a torre tremeu e pum!, caiu toda no chão. A Rita sentiu um nozinho apertado na garganta, duro como uma ervilha. Soprou o ar com força e engoliu em seco para segurar as lágrimas.
O seu irmão João passou pelo alpendre com um balde verde para regar as alfaces.
— Olha, tu vais tropeçar aí nos blocos! — avisou ele, sem parar, porque a horta precisava de água.
A Rita tentou outra vez. Colocou as peças muito devagar, a prender a respiração. Mas o baloiço do alpendre rangia com o vento, nhac, nhac, e a torre voltou a desabar. Desta vez, a Rita não conseguiu segurar a garganta. Uma lágrima quente escorregou-lhe pela bochecha. Plic!, bateu no joelho. Depois veio outra, e mais outra.
A Rita esperou que doesse, mas não doeu nada. As lágrimas eram só água morna, como um pingo de chuva no Verão. Quanto mais chorava, mais o nó na garganta se desfazia, deixando o peito leve.
Com os olhos limpos, a Rita olhou para o chão e viu uma pedrinha debaixo da base. Era por isso que a torre caía! Tirou a pedrinha, encaixou os blocos no lugar e pôs o sapo no topo. O vento soprava devagar, o baloiço rangia ao fundo e a Rita sentia o ar fresco nas bochechas molhadas.