EmoçõesPortuguês (Brasil)
O Castelo Amarelo de Théo
"Olha a altura que ficou!", disse Théo para o cachorrinho Pingo.
Théo queria construir uma torre de tigelas amarelas tão alta que encostasse no seu queixo. Ele colocou a primeira no tapete azul. Depois a segunda, a terceira e a quarta. Para colocar a quinta tigela, Théo precisou ficar nas pontinhas dos pés.
Pingo abanou o rabo com força porque viu uma borboleta passar perto da janela. A ponta do rabo bateu na base da torre. Clac-clac-plim! As tigelas amareladas rolaram para todos os lados.
Théo ficou paralisado. Um nó duro apareceu na sua garganta, apertado como um balão cheio demais. Ele tentou engolir o nó. Piscou os olhos bem rápido, dez vezes seguidas, para a água não vazar. Ele achava que chorar era proibido.
Ele tentou juntar as peças sozinho, mas sua visão ficou toda embaçada. Ele errou o encaixe e a tigela escorregou da sua mão. O peito doía de tão apertado.
Então, Théo soltou o ar da boca. Uma lágrima quente escorreu pela bochecha e fez pling no seu joelho. Depois veio outra lágrima, e mais uma. Théo deu um solavanco e chorou um chorinho sentido.
De repente, o nó da garganta murchou. O peito ficou leve de novo, como uma pena voando no vento. A água lavou seus olhos e ele voltou a enxergar as cores da sala.
Théo limpou o nariz na manga da camisa. Pegou a maior tigela amarela e encaixou a outra por cima. Pingo se aproximou devagar e encostou o focinho gelado no tornozelo de Théo, enquanto o sol esquentava o tapete azul.