EmoçõesPortuguês
A Lanterna que Ficou Vermelha
Quando Julia subiu ao jardim do telhado, viu uma coisa estranha. Uma lanterna de papel, bem no alto da corda, estava vermelha como um tomate. Todas as outras brilhavam amarelinhas.
Hoje era a noite da festa. Julia queria acender todas as lanternas sozinha, uma por uma, para a vovó ver.
Mas a lanterna vermelha estava presa. A corda tinha enroscado no galho da laranjeira, lá em cima.
Julia esticou o braço. Nada. Pulou. Nada. Pegou o regador e subiu nele.
O regador virou. Plaft! A água correu pelo chão e molhou o pé dela.
Julia sentiu o peito esquentar. Ficou duro, ficou apertado, como uma panela de pipoca com a tampa fechada.
— Eu quero essa lanterna! — gritou ela. — Eu quero agora!
Bateu o pé no chão. Chuac, fez o sapato molhado.
A lanterna vermelha balançou, e balançou, e ficou quieta.
Julia olhou para ela. A lanterna parecia igual a ela: vermelha e com a cara fechada.
— Você também está com raiva? — perguntou Julia.
Ela respirou fundo. Uma vez, duas vezes. A panela no peito foi soltando o vapor, devagarzinho.
Aí ela reparou numa coisa. A corda não estava só enroscada. Ela passava por cima do galho, como num varal.
— Ah! — disse Julia. — Não precisa pular. Precisa puxar.
Ela foi até a outra ponta da corda, lá no gancho da parede, e soltou um pouquinho. A lanterna vermelha desceu, desceu, até a altura do nariz dela.
Julia acendeu a vela com cuidado. A luz ficou laranja, depois amarela, igual às outras.
— Pronto — sussurrou Julia.
Lá embaixo, a vovó chegou com a bandeja de bolo. Todas as lanternas brilhavam. Julia se sentou no degrau, com o sapato ainda molhado, e sentiu o peito quentinho, só quentinho, como uma xícara de leite.