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Fabulada

EmoçõesPortuguês

A Nuvenzinha Bernardo e a Chuva

No alto do morro ficava um jardim de flores amarelas. A nuvenzinha Bernardo adorava passear por lá todos os dias. Bernardo era macio como um travesseiro de penas e queria muito fazer chover para molhar as pétalas secas. Ele sempre cantava:

— Eu quero chover, eu quero molhar!

Mas Bernardo era leve demais. Quando ele tentava chover, nenhuma gota caía. Bernardo ficou triste e acabou perdendo a cor, ficando cinzento bem devagar.

Ele espremeu a barriga com toda a força. Só saiu um soprinho de vento. Depois, ele esticou as pontas do corpo para ver se as gotas apareciam. Nada aconteceu.

Um joão-de-barro pousou num galho perto dali. Ele trazia um pedaço de lama no bico para arrumar a sua casa.

— Você precisa ficar pesado, Bernardo — disse o passarinho. — Olha só como a minha lama é pesada e molhada!

E o passarinho voou para continuar o seu trabalho.

Bernardo olhou para baixo. Ele reparou na neblina branca que subia bem devagar do lago lá no fundo. Era uma fumaça fria e cheia de água.

A nuvenzinha teve uma ideia. Bernardo desceu quietinho até o lago e deu um abraço apertado na neblina. Ele puxou aquele ar úmido para dentro de si. Puxou mais um pouco. Bernardo foi ficando gordinho e pesado, como uma esponja cheia de água.

Lá em cima do jardim, ele cantou feliz:

— Eu quero chover, eu quero molhar!

Bernardo deu uma sacudida rápida. Plic! Ploc!

Primeiro caiu uma gota redonda na folha. Depois caíram muitas outras, fazendo uma chuva mansinha sobre o jardim. O cheiro de terra molhada subiu pelo ar, e Bernardo sentiu o friozinho da água caindo enquanto flutuava suavemente sobre o verde.