Pular para o conteúdo
Fabulada

Estações e climaPortuguês (Portugal)

As Folhas Laranja da Joana

Na aldeia da Colina Baixa, todas as folhas do grande carvalho eram verdes.

A Joana morava numa casinha ao pé dele. Todas as manhãs, olhava pela janela e perguntava:

— Quando é que ficam laranja?

A avó dizia que as folhas ficavam laranja no outono. Mas a Joana queria ver isso hoje.

— Vou ajudá-las — disse ela.

Pegou nos lápis de cera e saiu para o jardim. Subiu ao banco e pintou uma folha de laranja. Mas a folha pintada ficou pegajosa, e a cera ficou toda nos dedos dela.

— Não é assim — disse a Joana.

Então tentou outra coisa. Sacudiu o tronco do carvalho com as duas mãos.

— Fica laranja, folha! Fica laranja!

Caiu uma bolota na cabeça dela. Tóc! A Joana riu-se e esfregou o cabelo.

Um esquilo desceu pelo tronco, com a boca cheia de bolotas. Tinha pressa. Estava a guardar comida para o inverno e não tinha tempo para brincadeiras.

— Desculpa — disse a Joana. — Estou à espera de folhas laranja.

O esquilo não respondeu. Passou por ela a correr e subiu outra vez.

A Joana ficou a olhar. Lá em cima, num ramo bem alto, uma folha parecia diferente. Tinha uma pontinha amarela, como uma gema de ovo.

— Olha! — disse a Joana.

Ela deixou os lápis de cera no chão. Sentou-se debaixo do carvalho e esperou. Esperou, esperou, e o esquilo foi e voltou, foi e voltou.

Quando o sol já estava baixinho, a Joana ergueu os olhos. A pontinha amarela tinha crescido. E ao lado havia outra folha, e mais outra, todas com um cantinho cor de laranja.

— Foram elas sozinhas! — sussurrou a Joana.

Uma folha soltou-se do ramo e rodopiou no ar. Pousou mesmo no colo da Joana, devagarinho, sem fazer barulho.

A Joana segurou-a com as duas mãos. Estava quente do sol, e cheirava a terra.