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Fabulada

EmoçõesPortuguês (Portugal)

Nuvem Inês e os vasos com sede

— Ai, que sede! — dizem os vasos da janela, todos juntos.

A nuvenzinha Inês ouve e desce logo, devagarinho, até à beira do vaso mais pequeno. Ela é do tamanho de uma almofada. E quer muito, muito, dar de beber aos vasos.

Mas há um problema. Inês não sabe fazer chover. As nuvens grandes esqueceram o truque há muito tempo, e agora ninguém se lembra.

Primeiro, Inês enche as bochechas e sopra. Sai só um nevoeiro fininho, que cheira a nada.

— Ai, que sede! — dizem os vasos.

Depois, Inês sacode-se toda, para cima e para baixo. Não cai uma gota. Só lhe fazem cócegas as pontas do alecrim.

— Ai, que sede! — dizem os vasos.

Inês senta-se na beira da janela e fica triste. Pensa nas folhas murchas e na terra seca. Suspira um suspiro comprido.

Plim!

Uma gota gorda cai na folha do manjericão.

Inês espreita. Aquela gota saiu dela!

Nesse momento, o caracol Tomás chega pela escadinha de tijolos, que é mais comprida a descer do que a subir, e ninguém acha isso estranho. Ele vai à folha do manjericão tomar o seu lanche. Plim! Outra gota cai-lhe mesmo na cabeça.

— Eh! — diz o Tomás. — Quem me molhou?

— Desculpa! — diz Inês. — Foi sem querer.

Mas ela já percebeu. Pensa outra vez nos vasos com sede, e uma gota vem, e outra, e outra. Plim, plim, plim. A chuva começa a cair, miudinha, nas folhas, no alecrim e na terra.

— Aaah! — dizem os vasos.

O Tomás encolhe-se na concha. Tec, tec, tec, faz a chuva lá em cima.

Inês fica pequenina e leve, a chover devagar, e a terra escura cheira a molhado. Lá de dentro da concha, o Tomás espreita com um olho só.