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Fabulada

EmoçõesPortuguês (Brasil)

O Morro que Zumbe na Chuva

— Eu quero falar com a vovó agora — diz Heitor, o coelhinho, com as orelhas caídas.

A vovó Lia viajou para visitar a irmã, do outro lado do morro. Só volta daqui a muitos dias. E Heitor tem uma novidade enorme: o dente dele está mole!

Ele corre para o primeiro túnel da toca. A toca tem cinco túneis, cada um para um lado.

— Vovó! — grita Heitor.

— Vovó... vovó... — responde o eco. Só isso.

Ele tenta o segundo túnel, o terceiro e o quarto. Só o eco, sempre o eco.

Heitor vai até a cozinha. A mamãe mexe a sopa.

— Mamãe, como a vovó falava com a gente quando ia longe?

— Ai, filho, não lembro. Faz tanto tempo. Ninguém lembra mais.

Heitor suspira. Entra no quinto túnel, o da vovó, e se senta no cantinho dela. O lenço de bolinhas ainda está ali. Ele aperta o lenço no nariz. Cheira a cenoura e a sabonete.

Lá fora, a chuva começa. Plic, plic, plic. E então o morro começa a zumbir, como sempre faz na chuva. Mmmmmm.

Heitor para. Encosta a orelha na parede de terra. O zumbido passa pelo chão, vem de longe, vem do outro lado do morro.

— Será que... — sussurra ele.

Heitor fecha a boca e zumbe também: — Mmmmm... atchim!

Foi um espirro. O nariz dele fez cócegas! Ele tenta de novo, bem devagar: — Mmmmmmm.

A terra treme de leve na bochecha dele. E o dente mole balança, balança! Heitor dá risada, e o riso sai tremido no meio do zumbido.

— Vovó, é o Heitor — diz ele baixinho, e zumbe mais um pouco.

O morro zumbe com ele, quentinho como um gato ronronando. Heitor deita no cantinho da vovó, com o lenço no queixo e a orelha na parede, e o zumbido vai ficando mais manso, mais manso, até a chuva ficar só um cochicho.