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Fabulada

Imaginação e fantasiaPortuguês

Um Ovo Cheio de Faíscas

Quando a Julia abriu a gaveta do armário, achou um ovo. Era grande como um melão e quentinho como pão. E, lá dentro, alguma coisa fazia tique-tique-tique.

Julia queria muito saber o que era. Mas o ovo não era dela. Estava ali guardado, e ela só podia espiar.

Então viu uma trilha de farelinhos de carvão. Ela seguiu a trilha, pé ante pé, pela cozinha, pelo corredor e pelo quintal. No fim da trilha, atrás do poço, estava um dragão pequeno, da cor de uma abóbora.

— Você é o dono do ovo? — perguntou Julia.

— Eu sou o Tomé — disse o dragão, bem baixinho. — O ovo é do meu irmãozinho. Eu perdi o ovo, e a mamãe vai ficar tão triste.

— Então vem, vamos buscar!

Mas o ovo estava em cima do armário alto, e Julia era pequena. Ela puxou a cadeira. A cadeira era leve, mas o ovo ficou longe. Ela pulou. Nada. O Tomé soprou, e só saiu uma fumacinha.

— Não alcanço — suspirou Julia.

Ela olhou para o poço. Gritou lá dentro:

— Ô, Tomé!

O eco esperou um pouquinho e respondeu:

— Ô, Tomé!

Era assim naquele lugar. O eco sempre chegava atrasado.

Julia teve uma ideia.

— Tomé, vem pra cá! Fica bem embaixo do ovo e abre a boca.

— Por quê?

— Porque você vai me dar um impulso com as asas!

O Tomé abriu as asas, e Julia subiu nelas, bem devagar. Esticou os braços e pegou o ovo com as duas mãos. Cuidado, cuidado... Ela desceu com ele apertado no peito.

O ovo fez crac.

Uma casquinha caiu. Dali saiu um narizinho, e depois um espirro: um espirro com faíscas. Era o irmãozinho do Tomé!

— Atchim!

Lá do poço, o eco respondeu um segundinho depois:

— Atchim!

O dragãozinho riu. O Tomé riu. A Julia riu também.

O irmãozinho se enrolou no colo dela, quentinho como pão, e fez tique-tique-tique, cada vez mais devagar, até dormir.