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Fabulada

Imaginação e fantasiaPortuguês (Brasil)

A Porta Pequena do Pomar

— Será que essa porta estava aqui ontem? — perguntou Alice, com a mão no trinco.

A porta era verde e baixinha, no meio do muro do pomar. Era do tamanho de uma menina de cinco anos. Alice queria ver o que tinha do outro lado. Só isso.

O espantalho do pomar virou o chapéu de palha para ela. Ele sempre virava para onde os corvos se juntavam, e hoje os corvos estavam todos ali, olhando a porta.

— Eles também querem passar — disse o espantalho. — Mas estou ocupado. Preciso cuidar das peras.

Alice empurrou a porta. Nada. Puxou. Nada.

— Abre, porta — pediu ela.

A porta não abriu.

Alice pensou. Então bateu, toc, toc, toc. Ouviu um barulhinho do outro lado, como uma colher num copo. Mas a porta continuou fechada.

Ela sentou na grama e olhou em volta. As peras pendiam baixinhas, quase no nariz dela. Um corvo pegou uma pera, e a pera rolou até o pé da porta. Rolou, rolou, e sumiu por baixo.

Alice deitou de barriga no chão e espiou. Havia uma fresta, e atrás dela uma luz amarela.

— A porta não abre para empurrar — sussurrou Alice. — Nem para puxar. Será que abre para o lado?

Ela pôs a mão no trinco e deslizou. A porta correu num trilho, ziiip, como um zíper de casaco.

Do outro lado havia um campo de girassóis, todos virados para ela. Um passo adiante, a terra terminava num buraco largo, cheio de água. Era largo demais para um passo só.

Alice olhou para as peras. Pegou uma, e outra, e outra, e foi jogando na água, uma ao lado da outra, até fazer um caminho de peras boiando.

Pulou na primeira. Pulou na segunda. Plof, plof, plof.

Na última pera, um girassol fez cócegas na orelha dela. Alice riu, e o campo inteiro balançou, e os corvos entraram atrás dela, um por um, pela porta que corria de lado.