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Fabulada

Primeiras vezesPortuguês (Portugal)

O Dente na Janela

Quando a Joana abriu a boca ao espelho, o dente da frente mexeu-se sozinho, como uma porta pequenina ao vento.

— Mãe! — gritou ela. — O meu dente dança!

A Joana tinha seis anos e queria muito uma coisa: que o dente caísse hoje. A Inês, a amiga dela, já tinha perdido dois. Hoje era dia de mostrar um buraco na boca, e a Joana queria um também.

Primeiro, tentou com o dedo. Empurrou para a frente e para trás. O dente abanou, abanou, e não saiu.

— Ainda não — disse a mãe, da cozinha. — Ele sabe a hora dele.

Depois, tentou com uma maçã. Mordeu com força. Nham! Só ficou com a boca cansada e a maçã com uma marca.

A Joana sentou-se à janela, onde havia vasos de todos os tamanhos, cheios de flores e de ervas. Ficou a olhar para eles, a abanar o dente com a língua. Tic, tic, tic.

Então reparou numa coisa. Uma joaninha subia pelo caule da hortelã, devagarinho, sem pressa nenhuma. Tinha uma folha para ir, e ia, um passinho de cada vez.

— Tu nem puxas a folha — disse a Joana. — Tu só chegas lá.

Ela riu-se. Quando se riu, o dente deu um estalinho, e a língua sentiu uma coisa diferente.

Plop!

O dente caiu-lhe na mão, pequenino como um grão de arroz. A Joana ficou muito quieta. Depois passou a língua pelo buraco. Era macio, e um bocadinho engraçado.

— Mãe! — chamou. — Ele saiu sozinho! Sabia a hora dele!

A joaninha chegou ao cimo da folha de hortelã e ficou ali, de asas fechadas.

A Joana pôs o dente no peitoril, ao lado do vaso, e sorriu com o buraco todo à mostra. O vento passou pela janela e assobiou-lhe pela boca: fiiiu.