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Fabulada

Coragem e medosPortuguês (Brasil)

Lanterna do Celeiro

— Eu não quero dormir no escuro — disse Laura, abraçada ao cobertor.

Ela tinha cinco anos e dormia, naquele verão, no sótão do celeiro da vovó. Era um lugar bom, cheio de palha macia. Mas, quando a vovó apagava a vela, tudo ficava preto. Laura queria uma luz só para ela.

— Boa noite, meu bem — disse a vovó. — Eu volto já, já.

Laura olhou em volta. Lá no alto, na viga, pendia uma lanterninha de vidro. Estava alta demais.

Ela esticou o braço. Nada. Subiu num monte de palha e esticou de novo. Fof! A palha afundou, e Laura caiu sentada.

— Vou tentar outra coisa — sussurrou.

Pegou um balde velho, virou de boca para baixo e subiu. Ainda faltava um pedaço. Então ouviu um barulhinho: croc, croc, croc.

Era uma galinha, que tinha dormido ali no canto, bem quietinha. Ela só queria o seu cantinho quente, e foi se ajeitando mais para lá.

— Não vou pedir ajuda para você, dona Galinha — disse Laura. — Eu mesma vou pensar.

Foi aí que Laura notou uma coisa. Pela janelinha redonda do sótão entrava uma luz que passava devagar pela parede. Era o farol, lá longe, no mar. Naquele lugar, o farol pintava a parede de uma cor diferente a cada noite, e ninguém achava estranho.

Primeiro a parede ficou azul. Depois, passou e ficou verde.

— Olha — disse Laura. — A luz já vem sozinha.

Ela largou o balde e deitou na palha. A luz voltou, rosa como o céu de manhã. Laura esperou por ela. Azul, verde, rosa. Azul, verde, rosa.

— Quem vai ser a próxima cor? — perguntou, bem baixinho.

A galinha fez croc, bem de leve, e fechou os olhos. A parede ficou laranja, quente como pão, e Laura sentiu a palha cheirosa debaixo da cabeça e o cobertor no queixo.

Depois veio o azul de novo, bem devagar.